Governo de São Paulo estima perda de até 60% na aprendizagem em 2020


Pedro Duran Da CNN, em São Paulo
15 de setembro de 2020 às 19:51 | Atualizado 15 de setembro de 2020 às 20:14

Ao fim de 2020, os alunos das escolas paulistas terão deixado de aprender até 60% do conteúdo que deveriam ao longo do ano letivo. A estimativa é do secretário estadual de educação, Rossieli Soares. “A perda média deve ficar entre 45% e 50% nas escolas e em alguns lugares mais delicados, pode chegar a 60%”, disse ele à reportagem da CNN.

Pra poder medir o real impacto na aprendizagem, o governo vai conduzir um estudo  após o retorno presencial das aulas. A tendência é que ele funcione como um vestibular fora de época, em que os alunos serão testados sobre o conhecimento adquirido ao longo do ano.

Estudos do Banco Mundial apontam uma perda de 16 a 30 pontos no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) por conta da pandemia do coronavírus. A perda mais significativa seria em escolas de países em desenvolvimento, como a América Latina. Num cenário mais pessimista, a perda na aprendizagem em 2020 poderia chegar a 90% nos cálculos dos pesquisadores.

Em 2009, quando escolas brasileiras ficaram fechadas por três semanas por conta do H1N1, q perda foi de 4,5 pontos, o que significa que os alunos deixaram de aprender o equivalente a dois meses de aulas. 

O plano do governo prevê que as aulas só voltam em cidades com a situação estável no combate ao coronavírus no dia 7 de outubro. Até lá, 128 cidades paulistas já tiveram o retorno  de atividades presenciais de reforço extraclasse.

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Quarto ano do ensino médio

Pra compensar as perdas dos alunos do terceiro ano do ensino médio, o último do período escolar, o governo de São Paulo vai adotar a partir de 2021 um quarto ano no ensino médio. É uma forma de compensar as perdas de aprendizagem de quem está se preparando pro vestibular. “Esperamos de 10 a 12 mil matrículas, o que é um número significativo”, disse Rossielli. 

Ameaça de greve

A avaliação do governo é de que as chances de uma greve de professores estão bem menores do que semanas atrás. Um dos motivos é a derrota na Justiça de todas as ações movidas por sindicatos de professores na tentativa de impedir ou atrasar o retorno presencial. Mas o receio de uma greve em meio à campanha eleitoral ainda assusta candidatos à reeleição em cidades paulistas.

Unicamp

A Universidade de Campinas (Unicamp) que está com os campi fechados por conta do coronavírus definiu que em 4 de janeiro de 2021, todos os alunos, professores e servidores estejam de volta. A retomada das atividades presenciais passa a valer em 19 de outubro e terá na primeira etapa 20% dos servidores, apenas. O número sobe para 60% a partir de 16/11, quando 25% dos alunos estarão de volta. Em 14/12 os professores e servidores já estarão com quadro completo. O plano pode ser revisto a qualquer momento se os números do novo coronavírus voltarem a crescer.