Coalizão entre agronegócio e ONGs propõe ao governo ações contra desmatamento


Ricardo Brito, da Reuters
16 de setembro de 2020 às 03:31 | Atualizado 16 de setembro de 2020 às 05:14
Árvores em chamas na Amazônia

Tronco de árvore em chamas na Amazônia

Foto: Ueslei Marcelino - 23.ago.2019/ Reuters

Uma coalizão formada por 230 representantes do agronegócio, de entidades não-governamentais (ONGs) e outros setores apresentou nesta terça-feira ao presidente Jair Bolsonaro e demais autoridades federais um pacote de seis ações a serem adotadas para buscar a redução rápida e permanente do desmatamento no Brasil, especialmente na área da Amazônia Legal.

O documento com as ações encaminhado a Bolsonaro, sugere que a redução do desmatamento no curto prazo - "em alguns meses" - é de fundamental importância para o país.

"Não somente pelo avanço das perdas socioambientais envolvidas, mas também pela ameaça que a destruição florestal na região impõe às questões econômicas nacionais. Há uma clara e crescente preocupação de diversos setores da sociedade nacional e internacional com o avanço do desmatamento", diz o documento.

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Diante da "gravidade da situação atual", foi formada a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que congrega, por exemplo, a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), dois dos maiores frigoríficos de carne bovina do país, a JBS e Marfrig, a WWF Brasil e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

Dentre as seis ações contra o desmatamento, foram sugeridas: a) retomada e intensificação da fiscalização, com rápida e exemplar responsabilização pelos ilícitos ambientais identificados; b) suspensão do Cadastro Ambiental Rural (CAR) que incide sobre florestas públicas e responsabilização por eventuais desmatamentos ilegais; c) destinação de 10 milhões de hectares à proteção e uso sustentável; d) concessão de financiamentos sob critérios socioambientais; e) total transparência e eficiência às autorizações de supressão da vegetação; e f) suspensão de todos os processos de regularização de imóveis com desmatamento após julho de 2008.

No documento, o grupo ainda destacou mobilizações inéditas de investidores e empresários anunciadas nas últimas semanas. O vice-presidente Hamilton Mourão e dirigentes do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal também foram incitados a agir para acabar com o desmatamento da Amazônia.

Procurada, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) não respondeu de imediato a pedido do comentário sobre o documento.