Justiça do RJ analisa pedido do MP por medidas mais rígidas a Flordelis


 Iuri Corsini, da CNN*, no Rio
16 de setembro de 2020 às 09:53 | Atualizado 16 de setembro de 2020 às 10:01

A Justiça do Rio de Janeiro, por meio da 3ª Vara Criminal de Niterói, está analisando pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) para impor novas e mais rigorosas medidas cautelares contra Flordelis, acusada de ser a mandante do assassinato de seu então marido, o pastor Anderson, morto em junho do ano passado.

O MPRJ pede que a juíza do caso, Nearis dos Santos, determine que Flordelis passe a usar tornozeleira eletrônica e a perda do mandato da deputada federal (PSD). Além disso, o MPRJ solicita que a parlamentar cumpra recolhimento domiciliar noturno. 

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Os pedidos de afastamento do cargo de parlamentar e também da obrigatoriedade do uso de monitoramento eletrônico já haviam sido feitos pelo MPRJ. Porém, a juíza Nearis dos Santos negou tais pedidos e impôs outras medidas cautelares, tais como a proibição de Flordelis de deixar o país ou mudar de residência sem autorização judicial, a entrega de seus passaportes à Justiça, comparecimento mensal na Justiça para justificar suas atividades e assinar o boletim de frequência. Ela também foi proibida de manter contato com qualquer testemunha ou outros acusados de terem participação no crime, cometido em 2019.

O novo pedido do MPRJ, feito na última sexta-feira (11), foi justificado por haver “fatos novos e graves”. Dentre eles, o MP destaca a dificuldade em se localizar Flordelis, tanto em Brasília, quanto em sua residência em Niterói, além do depoimento de Regiane Rabelo, testemunha do caso da morte do pastor Anderson, que sofreu um ataque a bomba em sua casa, no dia 3 de setembro. 

“Os elementos indicam que a ré, ainda que tivesse ciência do teor do decisum, mantinha paradeiro incerto, o que pode acabar por retardar o trâmite processual, impedindo, ainda, uma real fiscalização acerca do cumprimento das medidas cautelares antes impostas. Pior, neste quadro de incerteza acerca do paradeiro da ré, que não estava sendo encontrada nem em Niterói nem em Brasília, verificou-se o atentado com explosivos contra Regiane, testemunha arrolada na denúncia, cuja autoria está sendo investigada pela Polícia.”, diz o MPRJ.

Deputada Flordelis

Deputada Flordelis durante reunião na CCJ

Foto: Flordelis - 12.nov.2019 / Facebook

Depoimento de vítima de atentado

Em depoimento dado em juízo após o atentado, Regiane relatou o ataque a bomba sofrido em sua casa, no bairro de Itaipuaçu, em Maricá. Ela afirmou não ter dúvida de que tal incidente teve a intenção de amedrontá-la e coagi-la a não depor contra Flordelis.

Regiane também disse que teve notícia de que, na casa da família da parlamentar, foi comentado que Adriano, um dos filhos biológicos da deputada do PSD do Rio, preso na Penitenciária Nelson Hungria, teria afirmado a pessoas com quem teve contato que estaria esperando ser solto para “ir atrás de Regiane”.

Regiane é ex-patroa de Lucas, filho adotivo de Flordelis, preso por suspeita de participação na morte de Anderson. Ela acusa Flordelis de influenciar Lucas para que ele mudasse sua versão sobre o crime, além de tentar incriminar o filho como único responsável pela morte do pastor.

Procurada, a defesa de Flordelis informou que aguarda a decisão da juíza da 3ª Vara Criminal de Niterói sobre o pedido do MPRJ, para então se manifestar sobre este caso.

Prazo para defesa

Nesta segunda-feira (14), Flordelis foi intimida, em sua casa em Niterói, a apresentar, no prazo de até 10 dias, sua defesa por escrito, além de se manifestar se possui advogado ou se deseja ser atendida pela Defensoria Pública.  

A deputada Flordelis (PSD-RJ) é apontada como o cérebro de uma organização criminosa que mandou matar Anderson do Carmo, na época seu marido, com 30 tiros em junho de 2019.

A investigação apurou que sete filhos do casal também participaram da ação.

(*Sob supervisão de Maria Mazzei)