Cantores do sertanejo raiz lutam para se manter presentes na música

Os valores recebidos por esses artistas não chegam nem próximos aos dos cantores mais populares do gênero.

Marcus Vincax*
20 de setembro de 2020 às 22:00
 
Foto: Doc. Filmes

Com 73 anos de carreira e mais de 11 milhões de cópias vendidas, as irmãs Galvão – ou ‘’as Galvão’’, como gostam de ser chamadas, representam a persistência da música caipira.

Os valores recebidos pelas irmãs Meire e Marilene Galvão não chegam nem próximos aos dos cantores mais populares do gênero. ‘’Não me sinto valorizada monetariamente, não. Talvez porque a gente não tenha entrado nessa onda de músicas que podem ser tocadas em qualquer lugar, na noite...’’, explica Meire.

 
Foto: Doc. Filmes

O tamanho da história da dupla é inversamente proporcional ao dinheiro ganho com a carreira. Para Meire, mesmo sem tanto retorno financeiro, a música caipira tradicional tem a capacidade de resistir ao tempo. ‘’Tem sempre aquele que mora na fazenda, que o filho vem e pega a viola para aprender. Isso não acaba nunca!’’, afirma.

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Manter a memória do pai e do tio é uma meta de vida de Zeka Perez, sobrinho do Tonico e filho do Tinoco. Zeka mantém um programa de rádio com dinheiro próprio e distribuí para mais de 10 emissoras espalhadas pelo Brasil. Tudo para manter as músicas da dupla Tonico e Tinoco presentes nos lares do país.

‘’Eu falei com meu pai. Eu falei que eu iria preservar o nome da dupla até o meu último dia de vida e é isso que eu estou fazendo. Não quero ganhar dinheiro com isso, eu quero apenas manter a música deles tocando’’, diz emocionado.

Tonico faleceu em agosto de 1994 e Tinoco em maio de 2012. A dupla caipira faz parte da lista dos maiores recordistas de vendas da história mundial, com uma estimativa de mais de 50 milhões de discos vendidos.

(*Da DOC. Films, especial para a CNN)