Explosão digital: como a pandemia pode ajudar na evolução da medicina

A inteligência artificial, por exemplo, salvou muitos diagnósticos no começo da disseminação de casos do novo coronavírus

Priscila Manni*
20 de setembro de 2020 às 22:00
 
Foto: Doc. Filmes

De acordo com um levantamento do banco de investimento BTG Pactual sobre o legado da pandemia para o consumo, entre os setores que mais cresceram no começo do isolamento social estão o entretenimento e a saúde.

O uso da tecnologia foi fundamental para a sobrevivência de atividades que demandavam a presença física para serem realizadas.

“Eu não tenho dúvida que esse momento que a gente está passando vai acelerar ainda mais a aproximação digital que as empresas estavam se programando a fazer. E vai antecipar o momento para aquelas que não tinham entrado nesse movimento de aproximação digital”, diz Leonardo Vedolin, vice-presidente da Dasa, empresa que investe em inovações na área da saúde e que anunciou há dez dias a entrada na corrida pela vacina contra a Covid-19.

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Ainda segundo a pesquisa do BTG Pactual, os termos “telemedicina” e “aluguel de esteira” aumentaram cerca de 500% no mês de março. O download de apps de treino monitorado também cresceu 291% no mesmo mês.

 
Foto: Doc. Filmes

O uso das plataformas digitais e da tecnologia já era realidade para muita empresas, mas acabou disparando durante a pandemia. A inteligência artificial, por exemplo, salvou muitos diagnósticos no começo da disseminação de casos do novo coronavírus.

“Como no começo da pandemia não havia testes, usou-se um método bem simples, tradicional, que é fazer uma chapa do pulmão. Quando você tem Covid, você tem o que os médicos chamam de efeito vidro fosco. As máquinas eram capazes de demonstrar com 96% de acurácia quem tinha chance elevada de estar de fato contaminado”, conta Felipe Zmoginski, CEO da Inovasia.

A pandemia acelerou a revolução tecnológica e abriu um caminho promissor para a saúde. Mas colocou em questão o futuro de algumas profissões. Para Leonardo Vedolin, os médicos não serão substituídos, mas empoderados.

“O médico passa muito tempo hoje preenchendo papelada, aguarda autorização de um exame, tem que conversar com diversas pessoas sobre assuntos paralelos ao atendimento. O médico ou a enfermeira, que deveriam passar a maior parte do tempo próximo ao paciente e não faz isso porque está sobrecarregado com tarefas administrativas", afirma.

"Então, este ambiente é muito fértil para a tecnologia. A tecnologia pode fazer o contrário, ela pode empoderar o médico ou a enfermeira para que a tecnologia ocupe esse espaço de trabalho administrativo e dê tempo para que os profissionais de fato façam o que eles sabem fazer de melhor”, conclui.

(*Da DOC. Films, especial para CNN Brasil)