Proliferação de corais invasores mobiliza expedições no litoral paulista

Por ser uma espécie natural do Pacífico, o coral-sol não possui predadores no Atlântico e apresentou uma alta taxa de reprodução

Gabriel Passeri, Pedro Teodoro e Fabrício Julião, da CNN, em São Paulo*
22 de setembro de 2020 às 05:00 | Atualizado 22 de setembro de 2020 às 13:07
Em 2018, mergulhadores iniciaram expedições para controlar a proliferação do invasor
Foto: Clécio Mayrink

Uma espécie de coral oriunda do Oceano Pacífico tem mobilizado pesquisadores do litoral paulista. O coral-sol, que chegou à costa brasileira por meio de plataformas, monobóias ou até cascos de navios, se proliferou com extrema facilidade e representa uma ameaça à fauna e flora locais.

Após anos de estudos, foi constatado que a grande quantidade desse ser vivo pode causar um desequilíbrio no ecossistema do Parque Estadual Marinho Laje de Santos, ligado à Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de SP e com gestão da Fundação Florestal. 

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Por ser uma espécie natural do Pacífico, o coral-sol não possui predadores no Atlântico e apresentou uma alta taxa de reprodução. Há cerca de 10 anos, os primeiros focos dessa espécie foram identificados e estudados pelos pesquisadores do parque estadual.

Eles concluíram que o animal consome os nutrientes dos corais nativos da costa brasileira, causando um desequilíbrio nas mais de 200 espécies que vivem na região da Laje de Santos. Assim, em 2018, mergulhadores iniciaram expedições para controlar a proliferação do invasor.

Desde então, foram oito expedições que retiraram cerca de 200 kg de coral-sol, segundo José Edmilson Mello Junior, gestor do Parque Estadual Marinho Laje de Santos.

Por ser uma espécie natural do Pacífico, o coral-sol não possui predadores no Atlântico e apresentou uma alta taxa de reprodução
Foto: Clécio Mayrink

“As operações acontecem a 42 km da costa e requerem mergulhadores experientes, tanto pela profundidade de 9 a 14 metros da colônia do coral-sol, quanto pela maré”, contou ele à CNN. As equipes podem ter até 20 mergulhadores que atuam em dupla: enquanto um utiliza uma espécie de “picareta” para remover os corais, outro coleta os resíduos. A última expedição foi realizada em 19 de setembro, Dia Mundial da Limpeza.

No Parque Estadual é proibida a realização de atividades de pesca, captura ou coleta de quaisquer organismos marinhos, desembarque sem autorização na Laje de Santos, qualquer contato com espécimes da vida marinha, quaisquer atividades que impliquem em poluição ou causem outros impactos ambientais à área (esgotamento sanitário, limpeza de casco, etc.).

As áreas marinhas protegidas são fundamentais para conservação da biodiversidade da fauna e da flora dos oceanos. Elas funcionam como bancos genéticos para o processo de recomposição populacional e ajudam a manter os estoques pesqueiros. A preservação da diversidade e da paisagem marinha também fomenta o desenvolvimento de atividades econômicas ligadas ao setor de turismo náutico, em especial, o mergulho. 

* Sob supervisão de Evelyne Lorenzetti

As áreas marinhas protegidas são fundamentais para conservação da biodiversidade da fauna e da flora dos oceanos
Foto: Clécio Mayrink