Entre bate-boca e 'reaparições', Alesp aprova texto do ajuste fiscal de SP

O processo de votação, contudo, ainda não foi concluído. Deputados ainda discutirão os destaques do projeto

Pedro Durán, da CNN, em São Paulo
14 de outubro de 2020 às 00:01 | Atualizado 14 de outubro de 2020 às 01:23
Deputados estaduais de São Paulo discutem projeto de ajuste fiscal apresentado pelo governador João Doria (PSDB)
Foto: Pedro Durán/CNN

Por 48 votos a 37, o texto do ajuste fiscal do governo João Doria (PSDB) foi aprovado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O projeto foi aprovado pouco depois da meia-noite, já nesta quarta-feira (14), e a sessão, iniciada na terça, ainda se estendeu por mais quarenta minutos.

O processo de votação, contudo, ainda não foi concluído. Deputados ainda discutirão os destaques do projeto.

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A meta da mesa diretora da Alesp é votar nesta quarta-feira à noite os destaques do texto, que indicam quais itens serão retirados do projeto pra cumprir os acordos com os aliados. No entanto, como há deputados que são candidatos a prefeito e participarão de debates eleitorais, pode ser difícil voltar a reunir os 48 deputados necessários ainda nesta quarta. 

O PL 529 prevê a extinção de empresas públicas, mudanças nas regras de impostos e pode tirar o lucro de universidades para cobrir o rombo de R$10 bilhões do governo.

Depois de semanas tentando avançar com a discussão e votação do pacote de ajuste fiscal, o governo conseguiu no limite reunir os 48 deputados para aprovar o PL 529.

Durante a noite, a bancada aliada de João Doria conseguiu aprovar o roteiro de votação do projeto, que trazia as diretrizes de como o PL deveria ser votado e o que será priorizado nas votações.

Com o passo dado, foi possível avançar para a aprovação do texto final do projeto, com 48 votos, a maioria dos 94 deputados estaduais de São Paulo. 

 

Xingamentos e bate-boca

Ao longo da sessão, os deputados criticaram algumas questões levantadas por deputados apoiadores do governo. Gil Diniz, do PSL, chegou a interromper o discurso de uma deputada porque não concordava com decisões do presidente da Alesp, Cauê Macris, do PSDB.

Já o deputado Arthur do Val, do Patriota, questionou Roque Barbiere, do PTB, sobre impostos em medicamentos. “Você é um bosta de um inútil” reagiu Barbiere. “Fale no microfone! Presidente, o deputado pode falar assim?”, questionou do Val.

Deputados 'reaparecem'

Contaram para garantir a votação do roteiro de votação os deputados Roque Barbiere e Rafael Silva (PSB), que não eram vistos na Assembleia desde o início da pandemia do coronavírus.

Eles foram convencidos a voltar para o parlamento estadual e se juntaram à base pra apoiar o pacote do ajuste fiscal de Doria. 

Também foi fundamental pra reunir maioria, a presença da deputada Janaína Paschoal (PSL), que fez uma série de exigências pra votar a favor do projeto, como a retirada de 4 empresas da lista de privatizações. Os pedidos dela foram atendidos pela base.

Deputados 'se escondem'

Pouco depois das dez da noite, com o plenário já esvaziado, os deputados da oposição fizeram uma manobra corriqueira e curiosa.

Ao notar a ausência de integrantes da base do governo, eles solicitaram uma verificação de quórum, já que são necessários 48 deputados em plenário pra que a sessão não seja interrompida.

Na hora da chamada pra verificar a presença dos deputados, a oposição se escondeu no canto do plenário e não registrou presença. Mas o governo novamente reuniu os 48 deputados presentes e a discussão avançou.