Bahia é a porta de entrada das principais religiões do Brasil

Catolicismo e protestantismo - hoje as crenças com maior número de fiéis no país – chegaram ao Brasil pela Bahia; candomblé e espiritismo também

Luiz Barbará*
25 de outubro de 2020 às 21:15

 

A Bahia não é somente o primeiro estado brasileiro, é também a origem para o cenário religioso atual no país.

Durante o período colonial, primeiro chegaram os jesuítas, instituindo o catolicismo. Logo, nas grandes embarcações de franceses e holandeses, veio o protestantismo, que deu início às igrejas evangélicas. Atualmente a religião católica e a evangélica são as com maior número de fiéis em todo o Brasil.

Na Bahia, o último censo realizado pelo IBGE sobre o tema em 2010, mostrou que mais da metade da população baiana, cerca de 65%, é católica. A pesquisa também apresentou que Salvador está em quarto lugar entre as capitais brasileiras onde há o maior crescimento de evangélicos.

A Bahia também é o estado brasileiro com maior número de praticantes de candomblé. A religião que só existe no Brasil, também começou em território baiano com a chegada dos africanos escravizados. Influenciada pelas religiões de matriz africana, o candomblé se tornou uma das principais crenças do estado.

Na capital Salvador, a força do candomblé fica evidente. Segundo a AFA (Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro Ameríndia), só na cidade são mais de 1.730 terreiros registrados.

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Tolerância religiosa

Diante desta pluralidade de crenças, com forte presença do catolicismo, protestantismo e das religiões de matriz africana, um tema recorrente para os baianos sempre está em pauta: a tolerância religiosa.

Tantos evangélicos como praticantes do candomblé dizem que o preconceito com as religiões ainda existe, porém antigamente a situação era pior.

"Nas décadas de 1930 e 1940, houve uma perseguição sistemática, uma guerra instituída pelas autoridades e houve uma devassa, querendo extirpar da Bahia tudo que era sobre candomblé. Foi feito um processo de demonização das divindades, houve massacres, muita gente morreu", conta o antropólogo Julio Santana Braga, da Universidade Federal da Bahia.

O pastor Elson de Souza, da Igreja Batista de Salvador completa. "Antigamente, os crentes eram chamados de Bíblia, era uma forma pejorativa, mas que a gente se sentia honrado porque a Bíblia é o primeiro livro do mundo. Quando uma pessoa tem contato com a palavra ela começa a ser transformada", lembra.

Outra crença que faz parte deste sincretismo religioso baiano é o espiritismo. A doutrina kardecista também começou no estado, mas durante o período imperial.

O primeiro centro espírita brasileiro foi aberto em Salvador, em 1865. E é na capital baiana que hoje vive um dos principais líderes espíritas do país, o médium Divaldo Pereira Franco.

Divaldo já psicografou mais de 260 livros, que já venderam 10 milhões de exemplares.

Segundo o medium, toda venda das publicações é revertida para a manutenção da Mansão do Caminho, complexo que Divaldo construiu com iniciativas na área da educação e saúde, e que já tirou mais de 170 mil pessoas da condição de miséria extrema.

Para Divaldo, buscar o diálogo e respeito entre as religiões é um passo importante para a tolerância. "O espiritismo é uma doutrina que de certa forma dialoga com o cristianismo. Grande parte dos espíritas se considera cristão católico", explica o médium.

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*Da DOC. Films, especial para a CNN Brasil