Ifood exclui usuária apontada como autora de crime de racismo em Goiânia

Pedro Teodoro e Gabriel Passeri*, da CNN
27 de outubro de 2020 às 23:13 | Atualizado 28 de outubro de 2020 às 14:11


Um entregador sofreu discriminação racial no último domingo (25) em Goiânia. Elson Oliveira Santos, 39 anos, foi proibido de entrar em um condomínio residencial da cidade após ser insultado pela cliente.

Nas mensagens enviadas no Ifood, a mulher escreveu que deveriam mandar um motoboy que fosse branco: “Eu não vou permitir esse macaco”. Segundo o aplicativo, a usuária já foi banida. 

“Esse preto não vai entrar no meu condomínio. Manda outro entregador que seja branco”, disse a cliente. O Ifood, contudo, a excluiu de seu sistema. “Identificamos a usuária agressora e a banimos imediatamente.

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A empresa presta solidariedade ao entregador e está em contato para oferecer apoio psicológico”,afirmou a empresa do ramo alimentício. 

O episódio foi relatado pela gerente do resutaurante “Ham Burgergyn”, local de onde partiu a comida.  

Por meio de seu perfil do Twitter, ela explicou que estava em contato com a cliente para que fosse liberada a entrada do entregador, mas foi surpreendida com as respostas.

“Pensei que fosse mentira ou algum tipo de teste com o restaurante, uma vez que me recusei à acreditar que eu realmente havia lido ”, postou. 

A gerente afirmou que uma queixa contra a cliente foi prestada em uma delegacia de crimes cibernéticos da capital goiana. “Fizemos um boletim de ocorrencia e agora estamos esperando uma posição da polícia”.

No boletim de ocorrência, o crime foi tipificado no artigo 11 da Lei do Crime Racial, que pune em caso de impedimento ao acesso a entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais.

(*Supervisão Evelyne Lorenzetti)

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