Discussão sobre gênero neutro em colégio tradicional do Rio vai parar na Alerj

Liceu Franco-brasileiro comunicou que aceitaria o uso de gênero neutro por professores e alunos

Lucas Janone e Camille Couto, da CNN no Rio de Janeiro
12 de novembro de 2020 às 17:54 | Atualizado 12 de novembro de 2020 às 18:39

 

O comunicado do tradicional colégio Liceu Franco-Brasileiro, de Laranjeiras, na zona sul do Rio, informando que adotaria uma “linguagem neutra” em seu discurso institucional, acabou pautando discussões até mesmo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Após o alvoroço causado, especialmente nos grupos de WhatsApp que reúnem responsáveis pelos estudantes, dois deputados estaduais resolveram questionar a decisão da escola e correram para protocolar na Alerj, na tarde de quarta-feira (11), um projeto de lei sobre o tema tratado pela unidade de ensino.

A ideia da escola é fazer com que expressões como “querides alunes”, ao invés de “queridos alunos”, passem a ser aceitas pelo colégio. De acordo com o comunicado, o intuito da mudança é para combater o machismo e o sexismo no "discurso quanto à inclusão de pessoas não identificadas com o sistema binário de gênero".  

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O comunicado causou grande polêmica e o debate foi parar na Alerj através da Comissão de Constituição e Justiça e Educação. Os deputados do PSL Marcio Gualberto e Anderson Moraes ficaram inconformados com a intenção da escola e pediram para que seja votado o projeto de lei 3325/2020, que “estabelece medidas protetivas ao direito dos estudantes do estado do Rio de Janeiro ao aprendizado da língua portuguesa de acordo com as normas e orientações legais de ensino, na forma que menciona”. 

A discussão divide opiniões entre pais, alunos, professores e especialistas em linguísticas. A adoção do gênero neutro daria liberdade na forma de tratamento mais inclusiva, porém, os que especialistas alegam é que irá “alterar as normativas da língua portuguesa”. 

Em nota, o colégio Liceu Franco afirmou que continuará seguindo o padrão da norma culta do português e está comprometida com a qualidade da educação e o respeito à diversidade e à inclusão.

Leia a nota na integra:

“O Liceu Franco-Brasileiro, que esta semana completa 105 anos, é uma instituição de ensino comprometida com a qualidade da educação e o respeito à diversidade e à inclusão.

Em comunicado recente, o colégio afirmou o respeito à autonomia de professores e alunos no uso da neutralização de gênero gramatical na escola. Em nenhum momento, informou que passaria a adotar essa prática em avaliações e em sua comunicação oficial.

O Liceu Franco-Brasileiro, portanto, reafirma que continuará a seguir o padrão da norma culta do português, como tem feito desde sua fundação. Como demonstração disso, comunicados e avaliações desta semana usaram os termos "alunos" e "alunas".

Espaço de formação e de múltiplos diálogos, o colégio adota a discussão sobre questões expostas pela sociedade, que não podem ficar só extramuros".