Professor: Só emitir nota de repúdio e achar caso isolado é perpetuar racismo

Thiago Amparo, que é professor de Direitos Humanos e Direito Internacional da FGV-SP, falou sobre a morte de homem negro em supermercado de Porto Alegre

Da CNN
20 de novembro de 2020 às 13:30 | Atualizado 20 de novembro de 2020 às 14:01


João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, o homem negro morto em um supermercado Carrefour de Porto Alegre na noite de quinta-feira (19), não é um caso isolado no Brasil. A avaliação é de Thiago Amparo, professor de Direitos Humanos e Direito Internacional da Facudade Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.

Em entrevista à CNN, Amparo disse que o costume de emitir notas de repúdio por parte de empresas e representantes políticos não é uma forma efetiva de combate ao racismo estrutural no país e, pelo contrário, o reforça.

"Temos uma tática recorrente de perpetuação do racismo no Brasil de simplesmente emitir nota de repúdio, de achar que esses casos são fora da curva e não acontecem com frequência; que eles são feitos por outros, [funcionários] terceirizados que são maçãs podres, e isso significa eximir-se da responsabilidade com relação a esses atos", afirmou o professor.

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"O racismo não é só os seguranças assassinando uma pessoa, é também o Judiciário não considerar que o racismo é, de fato, crime. É muito difícil se punir crime de racismo no país. Também é difícil que famílias consigam indenização em casos de violência letal. É necessário que o Legislativo leve a sério o tema dos maus-tratos, violências e assassinatos que acontecem em supermercados e estabelecimentos comerciais, além de aprimorar nossa legislação", completou.

A cena, em que dois homens brancos agridem a vítima, foi filmada e está circulando nas redes sociais
Foto: Reprodução / Redes sociais

(Publicado por: André Rigue)