Funcionários do Inca denunciam setor improvisado para tratar Covid-19

A instituição afirma que segue a regra do Ministério da Saúde sobre os critérios de encaminhamento do paciente que testa positivo para o novo coronavírus

Camille Couto e Thayana Araújo, da CNN, no Rio Janeiro
27 de novembro de 2020 às 14:05

 

Funcionários do Hospital do Câncer III – unidade do Instituto Nacional do Câncer (Inca) especializada no tratamento de mulheres com câncer de mama –, em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro, denunciaram a existência um setor improvisado na ala de emergência para tratar pacientes com Covid-19.

Segundo alguns profissionais da instituição, os pacientes não passam por um processo de regulação (sistema que disponibiliza vagas na rede pública para determinada patologia ou necessidade). Com isso, as mulheres diagnosticadas com o novo coronavírus estão no local misturadas a outras pacientes que testaram negativo para a doença. Os funcionários afirmam que isso é ilegal.

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Hospital em Vila Isabel, no RJ, tem setor improvisado para tratar Covid-19
Foto: Reprodução - 27.nov.2020/CNN

Neste momento, há dois leitos improvisados. Em um deles, os profissionais da enfermagem não conseguem ver o paciente porque a porta precisa ficar fechada para não escapar aerossol (partícula que fica suspensa no ar quando o paciente, suspeito ou confirmado com Covid-19, usa oxigenioterapia suplementar, sistema que melhora a falta de ar) e não há filtração. 

“As pacientes têm ficado internadas com Covid-19 positivo ou suspeita nessas salas de fora, fora da visão da enfermagem e com risco de contaminar toda a equipe e as outras pacientes que estão sendo tratadas na emergência”, disse um dos profissionais.

Explicação do Inca

O Inca afirma que segue a regra do Ministério da Saúde sobre os critérios de encaminhamento do paciente que testa positivo para o novo coronavírus. 

Para os casos leves, indica-se isolamento domiciliar e tratamento sintomático, sem necessidade de internação hospitalar. Os casos moderados precisam ser encaminhados à internação em leito de enfermaria com o paciente isolado. Já para os casos graves, o indicado é a internação em unidade de terapia intensiva (UTI). Contudo, segundo os funcionários do Inca III, isso não está sendo feito.

Em nota, a assessoria de imprensa do Inca informou que a unidade é destinada “exclusivamente ao tratamento do câncer de mama e recebe cerca de 1,5 mil novos casos desta doença por ano – exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

No entanto, em razão da pandemia, o local afirma que está atendendo "pacientes que apresentam a infecção pela Covid-19 sem reduzir o número de atendimentos para esta patologia”. Além disso, diz que “os suspeitos de infecção, quando necessitam de internação, são instalados nos leitos de isolamento, para a realização do RT-PCR e para que sejam feitos todos os exames necessários e indicados”.
     
Um dos vídeos obtidos pela CNN mostra uma paciente que testou negativo e outra que testou positivo para a Covid-19 dentro do posto de enfermagem. “As duas pacientes que estão aqui não foram reguladas”, contou um profissional da saúde. 

Ainda de acordo com os profissionais do Inca III, novos maqueiros foram contratados, mas não tiveram qualquer treinamento para tratar de situações relacionadas ao novo coronavírus.

Funcionários da instituição denunciaram a existência da ala improvisada
Foto: Reprodução - 27.nov.2020/CNN

Íntegra da nota do Inca

O Instituto Nacional de Câncer, localizado em Vila Isabel, o chamado HCIII, conta com um Serviço de Pronto Atendimento (SPA) estruturado com 2 consultórios, 1 box para grande emergência, 9 boxes de repouso e 3 leitos de isolamento destinados a pacientes com suspeita de infecção pela Covid-19. 

Esta unidade do Inca é destinada exclusivamente ao tratamento do câncer de mama e recebe cerca de 1.500 novos casos desta doença por ano – exclusivamente pelo SUS. No entanto, devido à pandemia, vem atendendo seus pacientes que apresentam a infecção pela Covid-19 sem reduzir seu número de atendimentos para esta patologia.

Os suspeitos de infecção, quando necessitam de internação, são instalados nos leitos de isolamento, para coleta do RT-PCR e para que sejam feitos todos os exames necessários e indicados. Os pacientes são prontamente inseridos no sistema de regulação para transferência a unidades especificas para tratamento da infecção.

Não existe contato entre pacientes e toda a equipe de saúde trabalha com equipamentos de proteção individual – conforme determina a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Inca. 

Todos os funcionários do Inca, terceirizados ou não, recebem treinamento especifico para suas funções, incluindo maqueiros e pessoal de limpeza. Os maqueiros que atuam hoje no SPA do HC3 são experientes e foram devidamente treinados pelo Setor de Educação Continuada do Instituto.