Após SP voltar para fase amarela, infectologista defende mais restrições

"Temos mais coisas para fazer, como campanhas mais restritivas, e a população tem que ser advertida de uma forma mais clara", avalia Renato Grinbaum

da CNN, em São Paulo*
30 de novembro de 2020 às 19:06

O infectologista Renato Grinbaum acredita que se o estado de São Paulo continuar tendo um crescimento no número de casos e internações pela Covid-19, será preciso endurecer ainda mais as medidas de restrições.

Nesta segunda-feira (30), o governador João Doria (PSDB) confirmou que todas as regiões do estado regrediram para a fase amarela (3) do Plano SP, que orienta a reabertura econômica durante a pandemia do novo coronavírus.

Na avaliação do especialista, porém, a estratégia ainda não é suficiente para evitar o contágio da doença.

"Temos mais coisas para fazer, como campanhas mais restritivas, e a população tem que ser advertida de uma forma mais clara. Temos a necessidade talvez de estudar a reabertura de hospitais de campanha. É possível que em mais uma ou duas semanas, se continuarmos com esse crescimento [de casos e internações] tenhamos que tomar medidas um pouco mais rigorosas”, explicou.

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Além disso, disse Grinbaum, a população tem que tomar agora todo cuidado para que não haja progressão de fase. 

Mais cedo, a secretária estadual de desenvolvimento econômico de São Paulo, Patrícia Ellen, afirmou que o aumento em 7% das internações motivou restrições no estado.

"Identificamos no estado um aumento de internações de 7%, que ainda está na margem de segurança da fase verde, mas esse aumento foi o que justificou essa reclassificação em todas as regiões", disse.

"É uma medida preventiva porque comparamos [o estado] com países da Europa e vimos que nossa aceleração, a taxa média, nas últimas três semanas de casos foi de 5% por semana e de internações foi entre 7% e 10%", prosseguiu.

Segundo ela, os países da Europa que tiveram que tomar medida mais restritivas para evitar o contágio da doença, as taxas de aumento de casos chegaram a 140% e 160% por semana. "Estamos muito longe disso, mas é isso que queremos evitar e por isso estamos tomando essas medidas de cautela", afirmou.

Veja as atuais restrições da Fase Amarela

Shopping Center, galerias e estabelecimentos similares:

• Ocupação máxima limitada a 40% da capacidade do local
• Horário reduzido (10 horas)
• Praças de alimentação (ao ar livre ou em áreas arejadas)
• Adoção dos protocolos geral e setorial específico

Comércio, Serviços, Salões de beleza e barbearias:

•Ocupação máxima limitada a 40% da capacidade do local.
• Horário reduzido (10 horas).
• Adoção dos protocolos geral e setorial específico.

Consumo Local (Bares, restaurantes e similares):

• Somente ao ar livre ou em áreas arejadas
• Ocupação máxima limitada a 40% da capacidade do local.
• Horário reduzido (10 horas).
• Consumo local até 17h.
• Consumo local até as 22h (se a região estiver a ao menos 14 dias seguidos na fase amarela).
• Adoção dos protocolos padrões e setoriais específicos.

Academias esportivas e centros de ginástica:

• Ocupação máxima limitada a 30% da capacidade do local.
• Horário reduzido (10 horas).
• Agendamento prévio com hora marcada.
• Permissão apenas de aulas e práticas individuais, mantendo-se as aulas e práticas em grupo suspensas.
• Adoção dos protocolos geral e setorial específico.

Eventos, convenções e atividades culturais:

• Permitido após a região ficar ao menos 28 dias consecutivos na fase amarela.
• Ocupação máxima limitada a 40% da capacidade do local.
• Obrigação de controle de acesso, hora marcada e assentos marcados.
• Venda de ingressos de eventos culturais em bilheterias físicas, desde que respeitados protocolos sanitários e de distanciamento.
• Assentos e filas respeitando distanciamento mínimo.
• Proibição de atividades com público em pé.
• Adoção dos protocolos geral e setorial específico.

(*Com informações de Tainá Falcão e Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo)

Ilustração do novo coronavírus em roxo
Foto: Reprodução/Pixabay


 (Publicado por Sinara Peixoto)