Apuração reforça participação de policiais, diz delegado sobre morte de jovens

Elis Barreto e Thayana Araujo, da CNN, no Rio de Janeiro
16 de dezembro de 2020 às 14:26 | Atualizado 16 de dezembro de 2020 às 14:40
Câmera de segurança capturou o momento em que os jovens foram abordados pelos PMs
Foto: Divulgação

O delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Uriel Alcântara falou à CNN nesta quarta-feira (16) sobre os policiais militares suspeitos de assassinar dois jovens em Belford Roxo, região metropolitana do Rio no último final de semana. "Vai sendo reforçado os indícios sobre a participação deles - os policiais - nas mortes, que de alguma forma concorreram para aquele resultado", disse Alcântara à CNN

A afirmação do delegado reforça a tese de que os PMs, presos no dia seguinte às mortes, estão envolvidos diretamente com o crime. 

No dia 12 de dezembro, Jhordan Luiz de Oliveira Natividade, de 18 anos, e Edson de Souza Arguinez, de 20 anos, foram encontrados mortos e com sinais de tortura na cidade de Belford Roxo. Imagens apresentadas à Polícia Civil mostram que as vítimas seguiam de moto quando foram abordadas por dois policiais militares no bairro de São Bernardo.

Em determinado momento da abordagem um clarão semelhante ao de um disparo de arma de fogo é registrado. Os dois rapazes caem, sendo então revistados, algemados e conduzidos à viatura. A moto é levada do local por um PM. A polícia não se convenceu da versão de que Edson e Jhordan foram liberados logo em seguida.

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A Polícia Civil descobriu contradições nos depoimentos do cabo Júlio Cesar Ferreira dos Santos e do soldado Jorge Luiz Custódio da Costa. Ambos disseram que, na madrugada em que ocorreu o crime, saíram da área de patrulha porque Jorge Luiz recebeu uma ligação informando que a mãe estava no hospital municipal de Belford Roxo, e que na volta abordaram os jovens Jhordan e Edson em uma moto. Mas a versão não foi confirmada pela prefeitura, responsável pelo hospital municipal. 

O delegado solicitou à Justiça a quebra do sigilo telefônico dos dois suspeitos para ter acesso a todo conteúdo que tenha sido apagado, como fotos, vídeos e mensagens. Ele também busca mais imagens de câmeras de segurança que possam mostrar a rota dos policiais militares após a abordagem. 

Os PMs foram presos em flagrante, e em audiência de custódia, a Justiça converteu em preventiva a prisão. 

A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense tenta encontrar outras imagens da ação policial que terminou com a morte dos jovens Edson Arguinez Junior, de 20 anos, e Jordan Luiz Natividade, de 18 anos.

À CNN, o delegado Uriel Alcântara afirmou que já ouviu uma parte dos familiares das vítimas e que, agora, o objetivo é encontrar imagens que ajudem a esclarecer o que aconteceu. 

Além disso, as armas dos PMs presos ainda não foram encaminhadas para perícia. Nas imagens disponíveis até agora, os jovens aparecem em uma moto e caem no chão após serem atingidos por um tiro. O vídeo também mostra agressões, o momento em que eles são algemados e levados do local. 

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“As imagens que foram divulgadas até aqui não são deles sendo mortos. A prioridade da investigação é rastrear as câmeras do passo a passo do percurso feito pelo veículo”, afirmou o delegado responsável pela apuração.