SP permitirá aulas presenciais mesmo com piora de índices da Covid-19

Governador João Doria confirma mudança nos critérios do Plano SP para permitir que escolas permaneçam abertas até na fase vermelha

Murillo Ferrari e Tainá Falcão, da CNN, em São Paulo
17 de dezembro de 2020 às 12:36 | Atualizado 17 de dezembro de 2020 às 14:09

O governo de São Paulo vai permitir a reabertura das escolas do estado mesmo que a situação da pandemia do novo coronavírus piore e as regiões regridam de fase no Plano SP – atualmente, todo o estado está na fase amarela (3).

A informação foi adiantada pela CNN e confirmada pelo governador João Doria (PSDB) em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes nesta quinta-feira (17). Para isso, no entanto, vai ser necessário alterar os critérios estabelecidos no Plano SP, já que atualmente as escolas só podem funcionar a partir da fase amarela.

A ideia é que mesmo que a quantidade de casos e hospitalizações por Covid-19 aumentem, as escolas possam manter as aulas presenciais com 35% de sua capacidade, replicando medidas adotadas na Europa.

"Após análise criteriosa da Secretaria Estadual de Educação, sob liderança de Rossieli Soares, e do Centro de Contingência da Covid-19, o governo acatou integralmente a orientação para manter o retorno gradual às aulas presenciais para o ano letivo de 2021", disse Doria.

Assista e leia também:
Volta às aulas na cidade de São Paulo acontecerá no dia 4 de fevereiro
MEC autoriza ensino remoto enquanto durar pandemia de Covid-19
Rematrículas em escolas privadas caem 30%, diz pesquisa

O decreto que autoriza a retomada das aulas em todas as fases do Plano SP será assinado ainda nesta quinta-feira pelo governador e publicado na sexta-feira (18) no Diário Oficial do Estado de SP. O retorno acontecerá de forma regionalizada, seguindo critérios de segurança estabelecidos pelo Centro de Contingência da Covid-19.

"A decisão de manter escolas abertas é embasada em experiências internacionais e nacionais e tem por objetivo garantir a segurança de alunos, professores e funcionários da rede pública e privada de ensino. E também garantir o desenvolvimento cognitivo e socioemociocional de milhões de crianças e adolescentes no estado", completou o governador.

Ao falar sobre a decisão, o secretário estadual de Educação afirmou que o tema foi tema de muitas discussões no Centro de Contingência da Covid-19, envolvendo especialistas como pediatras, infectologistas e epidemiologistas.

"O que temos visto é que o ambiente da escola é seguro. Estar na rua, na praia, no bar, ou qualquer outro lugar, tem sido fator de maior risco, especialmente, para os adolescentes", disse Soares.

Seguindo os protocolos, crianças brincam em escola na zona leste de SP
Foto: Reprodução/CNN

"Não tivemos nenhum caso de infecção por conta da [reabertura] das escolas. Não houve transmissão em nenhuma escola e isso é muito importante porque temos quase 2 mil escolas estaduais com atividades e não temos registro de transmissão", completou.

Ele disse que o governo de São Paulo está analisando as medidas similares adotadas ao redor do mundo."Países optaram fechar outros segmentos, mas mantiveram escolas abertas, como a França e a Irlanda, onde se fala em lockdown se houver aumentos de casos, mas mantendo escolas abertas", continuou.

Ele citou ainda o Reino Unido, a Itália, a Alemanha e o estado de Nova York, nos Estados Unidos, como exemplos de países onde as escolas continuam em funcionamento, apesar da piora no índices da pandemia.

Assista e leia também:
Pediatras defendem volta às aulas presenciais: 'Crianças transmitem muito menos'
CEO da Somos Educação: pandemia aumenta distância entre ensino privado e público
60% das escolas do país continuarão com ensino online em 2021

Mudança nos critérios

Soares também detalhou as mudanças nos critérios do Plano SP para permitir o funcionamento das escolas em todas as fases da pandemia.

"Na educação básica, autorizamos a abertura mesmo na fase vermelha ou na fase laranja", disse o secretário. Ele explicou que nas fases vermelha e laranja as escolas poderão atender com 35% de sua capacidade, subindo para 70% na fase amarela e para 100% na fase verde.

No ensino superior, no entanto, não houve alteração nas regras e o funcionamento continua permitido apenas da fase amarela em diante.

O secretário também confirmou que a volta das aulas nas escolas do estado está marcada para o dia 1º de fevereiro de 2021. "Em janeiro as escolas poderão fazer atividades presenciais de reforço escolar."