Dinheiro com cheiro de maconha no RJ desencadeia ação policial contra tráfico

Operação desencadeada pela Polícia Civil do Rio cumpre 29 mandados de prisão em 4 estados em combate ao tráfico de drogas; alvos são ligados ao Comando Vermelho

Luiza Muttoni, da CNN, o Rio de Janeiro
18 de dezembro de 2020 às 08:40 | Atualizado 18 de dezembro de 2020 às 16:59
Operação da Polícia Civil contra lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho
Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil do Rio de Janeiro desencadeou, na manhã desta sexta-feira (18), uma operação para combater uma quadrilha especializada em lavagem de dinheiro.

A informação foi obtida com exclusividade pela CNN. São cumpridos 29 mandados de prisão preventiva em quatro Estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. A operação prendeu 12 pessoas.

Os alvos são empresários que lavam dinheiro para o tráfico de drogas, especificamente para o Comando Vermelho. No último ano, o grupo teria lavado mais de R$ 200 milhões.

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As investigações começaram em maio de 2019, quando um depósito de R$ 99 mil em espécie, feito em uma agência bancária na Zona Norte do Rio de Janeiro, chamou a atenção dos funcionários do banco, já que o dinheiro tinha um forte cheiro de maconha.

A Polícia cruzou informações através do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e chegou ao depositante.

Na época, ele disse que o cheiro era de mofo e o dinheiro era para a compra de um carro.

Foi solicitada a quebra do sigilo bancário de todos os titulares das contas relacionadas, até que os investigadores chegaram ao esquema criminoso.

“É um esquema extremamente sofisticado, que envolve empresas de fachada e outras reais. Os empresários são homens acima de qualquer suspeita, que moram em casas de luxo no interior de São Paulo ou em fazendas no Mato Grosso do Sul, bem distantes da guerra de facções das favelas do Rio de Janeiro”, conta o delegado Antenor Lopes, diretor-geral de Polícia da Capital Fluminense.

Entre os principais alvos da ação, está Nilson Oldair Arcari Espínola, ex-Prefeito de Nueva Toledo, no Paraguai, que vive no Mato Grosso do Sul.

Todos os investigados foram denunciados pelo Ministério Público do Estado, e a ação conta com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ).

Na primeira fase da operação, deflagrada no ano passado, foram cumpridos mandados de prisão temporária e de busca e apreensão.

A operação Shark Attack (ou Ataque de Tubarão, na tradução livre) tem o nome inspirado no apelido do traficante solicitante do depósito inicial, Jorge Lucindo da Silva, o Tubarão, do Morro do Borel, na Zona Norte do Rio.

Ele é considerado foragido da Justiça.