Entenda o que é a Operação Hades, que culminou na prisão de Marcelo Crivella

Investigação apura a existência de um suposto 'QG da Propina' na Prefeitura do Rio de Janeiro

Matheus Prado, da CNN, em São Paulo*
22 de dezembro de 2020 às 07:49 | Atualizado 22 de dezembro de 2020 às 11:23

 

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), foi preso nesta terça-feira (22) num desdobramento da Operação Hades, que investiga a existência de um suposto 'QG da Propina' na Prefeitura da cidade.

Além de Crivella, também foram presos o empresário Rafael Alves (suspeito de ser o chefe do esquema de propinas e irmão de Marcelo Alves, ex-presidente da RioTur), Mauro Macedo (ex -tesoureiro da campanha de Crivella) e o ex-vereador Fernando Moraes (também ex-delegado).

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Prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) é preso no Rio de Janeiro nesta terça-feira (22)
Foto: CNN (22.dez.2020)


A investigação veio a público em dezembro de 2019 após colaboração premiada do doleiro Sérgio Mizrahy, preso pela Operação Câmbio, Desligo. 

No depoimento aos promotores, Mizrahy chamou um escritório da prefeitura do Rio de “QG da Propina”. No entanto, na ocasião, o doleiro não soube dizer se o prefeito Marcelo Crivella tinha envolvimento com o esquema e se sabia da existência da estrutura montada.

Em março, durante a Operação Hades, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo 1º Grupo de Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. 

Segundo as investigações, o empresário Rafael Alves recebia cheques de empresários para intermediar o fechamento de contratos com a RioTur ou viabilizar o pagamento de dívidas do município do Rio de Janeiro com eles.

Considerado o operador do esquema de propinas, Rafael é irmão de Marcelo Alves, ex-presidente da RioTur. Os dois se aproximaram de Crivella durante a campanha pela prefeitura do Rio em 2016, ajudando o político a levantar recursos para o pleito.

Após a eleição de Crivella, Rafael teria conseguido colocar o irmão como presidente da Riotur e, a partir daí teriam iniciado a construção do “QG da Propina”.

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Uma outra ação, em setembro, chegou ao prefeito, com buscas em sua casa. À epóca, ele considerou "a ação injustificada, já que sequer existe denúncia formal e eu não sou réu nesta ou em qualquer outra ação". O prefeito disse ainda que colocou à disposição do MPRJ seus sigilos bancário, telefônico e fiscal por conta de denúncias.

Com base na investigação, a bancada do Psol na Câmara do Rio chegou a entrar com um pedido de impeachment contra Crivella. O pedido foi indeferido por 24 votos a 20.

A operação foi inicialmente realizada pelo Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça em conjunto com a Coordenadoria de Investigações de Agentes com Foro da Polícia Civil, com apoio de agentes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência.

Também participaram membros do Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal (Gaesf/MPRJ), Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) e Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc/MPRJ), além da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ).

*Com informações da Agência Brasil