Justiça mantém prisão de investigados em esquema ilegal na prefeitura do RJ

Ministério Público aponta que o grupo liderado por Crivella, cobrava propina de empresários em troca de favores em negociações

Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro
23 de dezembro de 2020 às 16:10 | Atualizado 23 de dezembro de 2020 às 19:10

 
 

Após audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (23), a justiça manteve a prisão preventiva do empresário Adenor Gonçalves e do delegado Fernando Moraes, acusados pelo Ministério Público (MP) de integrarem o esquema ilegal na prefeitura do Rio de Janeiro.

A denúncia aponta que o grupo liderado pelo prefeito da cidade, Marcelo Crivella, cobrava propina de empresários em troca de favorecimento em negociações com o município. Até o momento, seis mandados de prisão já foram cumpridos.

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Adenor Gonçalves e Fernando Moraes, entretanto, apresentaram sintomas de Covid-19 e estão internados em um hospital da cidade. A audiência de custódia, que aconteceu de forma online, reafirmou que ambos devem ingressar no sistema prisional após a total recuperação da doença. Ou seja, em 15 dias. 

Segundo o MP, ambos eram responsáveis pela cobrança de propina dos empresários que participavam do esquema. A denúncia aponta que Moraes empregava o uso da força, com agressões e coronhadas, além de fazer ameaças com arma de fogo nas abordagens.   

Já Adenor está envolvido no escândalo da empresa Assim Saúde. De acordo com a denúncia, a empresa fazia pagamentos mensais, que variavam de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões, sob assinatura de contratos fictícios e emissão e notas "frias".  

A quantia total da propina paga pela empresa ao grupo criminoso foi de mais de R$ 50 milhões. Adenor é acusado de ter solicitado para a Assim Saúde os documentos que justificariam os desembolsos.