Amazônia: PF combate desmatamento em área 3 vezes maior que Fernando de Noronha

Policiais investigam crimes cometidos em área de 5 mil hectares em Roraima e no Amazonas; Justiça determinou o bloqueio de R$ 80 milhões em bens

Vianey Bentes, da CNN, em Brasília
27 de janeiro de 2021 às 08:56 | Atualizado 27 de janeiro de 2021 às 09:22
Imagens de um acampamento de desmatamento ilegal encontrado
Imagens de um acampamento de desmatamento ilegal encontrado durante as diligências de investigação
Foto: Divulgação/PF

A Polícia Federal realiza nesta quarta-feira (27) a Operação ‘Okê Arô’, em Rorainópolis, na divisa do estado de Roraima com o Amazonas, para combater o  desmatamento ilegal em uma área de 5 mil hectares da floresta amazônica, o que equivaleria a três vezes o tamanho da Ilha de Fernando de Noronha (PE).

São cumpridos três mandados de busca e apreensão expedidos pela Primeira Vara da Justiça Federal de Roraima, além do bloqueio e sequestro de R$ 80 milhões em bens e valores.

No acampamento dos desmatadores, a PF encontrou redes e material para alimentação, mas os trabalhadores já não estavam no local, e também muitas toras de madeira.

Em Manaus, os policiais descobriram em containers a madeira da área desmatada já manufaturada.

O esquema

O inquérito, de 2017, mostra que um dono de madeireira seria o responsável por esse desmatamento na área de 5 mil hectares. E ainda, segundo a perícia da PF, com a exploração de mais de 250 mil m3 de madeira seria possível carregar 7 mil caminhões com toras extraídas da floresta ilegalmente.

As investigações identificaram várias fraudes nos documentos que deveriam regularizar a retirada das árvores. A PF fez cerca de 15 abordagens em carregamentos da madeireira, sendo que em 14 constataram fraudes na documentação.

A mais comum é obter permissão para transporte de madeiras legais de baixo valor, mas o que acontece é que o transporte feito é de madeiras nobres, o que é proibido. Os envolvidos de comandarem o desmatamento podem responder por crimes de desmatamento ilegal, furto, falsidade ideológica e lavagem de bens e capitais, com penas que podem ultrapassar 23 anos de prisão e mais multas.

O nome da operação faz referência a uma saudação ao orixá Oxóssi, protetor das florestas e da natureza.