Matrículas na educação básica caem pelo quarto ano consecutivo, diz Censo

Os resultados ainda não refletem a realidade da Educação durante a pandemia, pois a primeira fase de recolhimento de dados foi encerrada na suspensão das aulas

Luana Franzão, Fernando Alves e Marília Ribeiro, da CNN, em São Paulo
29 de janeiro de 2021 às 12:25 | Atualizado 29 de janeiro de 2021 às 12:52
Aulas em 2020 foram dificultadas pela pandemia, mas Inep ainda não possui dados sobre este período
Foto: Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

Na manhã desta sexta-feira (29), o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgou os resultados do Censo da Educação Básica do ano de 2020.

O dado obtido pela pesquisa que mais obteve atenção foi uma queda das matrículas no Ensino Básico entre o ano de 2019 e o de 2020. "No ano de 2020, foram registradas 47,3 milhões de matrículas nas 179,5 mil escolas deeducação básica no Brasil, cerca de 579 mil matrículas a menos em comparação com o ano de 2019, o que corresponde a uma redução de 1,2% no total", afirmou o Inep em documento de apresentação dos dados.

Esta não é a primeira vez que os números apontam um afastamento dos estudantes das salas de aula: entre os anos de 2019 e 2018, a queda foi de 581.621 matrículas (cerca de 1,2%), entre 2018 e 2017, de 152.226 (cerca de 0,31%) e entre 2016 e 2017, de 209.386 (cerca de 0,42%). Os números reúnem dados de escolas das redes pública e privada.

A queda foi mais acentuada na rede privada do que na pública. Entre 2019 e 2020, foram realizadas cerca de 3,76% menos matrículas na rede privada, enquanto na rede pública este número ficou em 0,6%.

Os resultados da primeira fase, neste ano especificamente, foram colhidos mais cedo. A fase costuma ser concluída em maio, mas em 2020 foi encerrada em 11 de março, logo após o fechamento das escolas por conta da pandemia da Covid-19. Desta forma, os dados a seguir não representam as mudanças na educação durante a pandemia.

"A leitura das informações do Censo Escolar 2020 deve sempre ser realizada com cuidado, não sendo possível ainda observar o impacto da pandemia da Covid-19 nos dados educacionais coletados e, portanto, não é adequado interpretar eventuais alterações de estatísticas e indicadores aqui apresentados como sendo causadas pela pandemia", afirmou o Inep no documento com os resultados da pesquisa.

"Com o resultado dos questionários da Segunda Etapa vamos ter informações de como as escolas lidaram com a pandemia. São informações muito importantes que serão detalhadas para poder avaliar como as escolas atuaram neste período e que depois serão essenciais para propormos políticas para superar os efeitos da pandemia", disse Alexandre Lopes, presidente do Inep, em entrevista coletiva.

Representantes do órgão de pesquisa ainda afirmaram que a queda foi maior na Educação de Jovens e Adultos, onde a diminuição nas matrículas foi de 8,6%. "Enquanto tivermos jovens e adultos analfabetos o país vai estar com uma lacuna social”, disse Lopes.

O presidente ainda prosseguiu, explicando que a maior queda de matrículas se dá na transição para o Ensino Médio. Uma das medidas citadas por ele para amenizar esta evasão seria o ensino integral alinhado com novas perspectivas.

Alexandre Lopes finalizou a coletiva de imprensa agradecendo os colaboradores do Inep pelo trabalho desempenhado durante a pandemia.

O Inep também é responsável pela coordenação e criação das provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).