É falso vídeo em que diretor da Anvisa diz que vacinação gera 'risco sanitário'

Entrevista de Antônio Barra Torres à CNN foi editada e manipulada para deturpar o discurso do executivo a respeito da MP das Vacinas

Da CNN, em São Paulo
18 de fevereiro de 2021 às 21:06 | Atualizado 19 de fevereiro de 2021 às 08:22

Uma entrevista dada à CNN por Antônio Barra Torres foi editada e compartilhada nas redes sociais de forma deturpada para dar a entender que o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) considera um "risco sanitário grave" a vacinação contra a Covid-19.

A fala do diretor da Anvisa não trata da imunização de forma geral, mas apenas da possibilidade de a agência ser obrigada a certificar automaticamente vacinas aprovadas em entidades de referência no exterior, sem a possibilidade de análise técnica.

O contexto fica claro na íntegra da entrevista original, quando Barra Torres é perguntado sobre essa possibilidade pela âncora da CNN Luciana Barreto, apresentadora do CNN Novo Dia, jornal que exibiu a conversa com o diretor da Anvisa no dia 10 de fevereiro.

Portanto, para Antônio Barra Torres, o dito "risco sanitário grave" só aconteceria caso a agência perdesse seu poder de analisar de forma técnica a segurança e a eficácia de uma vacina para uso no Brasil.

Ele enfatiza um trecho da MP das Vacinas que prevê que "a Anvisa concederá" o registro às vacinas aprovadas em uma lista de outros países, sem a condicionante de que essa concessão aconteceria mediante uma análise feita pela agência.

As duas vacinas hoje distribuídas no país, a de Oxford/AstraZeneca e a Coronavac, passaram por todos os trâmites da Anvisa, foram submetidas a testes no Brasil e tiveram o uso emergencial analisado e aprovado pela diretoria colegiada da agência, a partir das recomendações das áreas técnicas da agência.

A entrevista do diretor foi dada após uma reunião de Barra Torres com o presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Anvisa foi ao Palácio do Planalto pedir ao presidente da República que vete um trecho da MP das Vacinas, aprovado no Congresso, que estabelece um prazo de apenas 5 dias para a análise dos imunizantes.

Portanto, trata-se de algo que não está em vigor e não tem nenhuma relação com a vacinação em andamento no país.

Também não tem qualquer relação com as flexibilizações já feitas pela Anvisa, que dispensou a realização de testes de fase 3 no Brasil para pedidos de uso emergencial e dispensa registro para as doses que forem enviadas ao país pelo Covax Facility, consórcio da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Assista à integra da entrevista dada por Antônio Barra Torres à CNN Brasil em 10 de fevereiro: