Ex-policial militar e GCM são absolvidos em júri sobre maior chacina de SP

Jurados absolveram réus que, antes, haviam sido condenados a mais de 200 anos de prisão

Julyanne Jucá e André Rosa, da CNN, em São Paulo
26 de fevereiro de 2021 às 18:11 | Atualizado 26 de fevereiro de 2021 às 18:37
Júri popular da chacina de Osasco
Júri popular absolve acusados de participar da chacina nas cidades de Osasco e Barueri em 2015
Foto: Divulgação/TJSP

Após cinco dias de júri popular, o ex-policial militar Victor Cristilder Silva dos Santos, de 37 anos, e o guarda civil Sérgio Manhanhã, de 48 anos, foram absolvidos das acusações impostas a eles após o caso em que 17 pessoas foram assassinadas e outras foram baleadas nas cidades de Osasco e Barueri, na região metropolitana de São Paulo.

Cinco dias antes do crime, em 08 de agosto, outras seis pessoas haviam sido mortas no que foi chamado de "pré-chacina".

Manhanhã havia sido julgado pela primeira vez em setembro de 2018 e Cristilder em 2018. Juntos, haviam sido condados a penas que, somadas, ultrapassavam 213 anos de prisão. 

A defesa do ex-policial militar e do guarda civil entrou com recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e obteve a anulação das penas. O novo júri deveria ter acontecido em novembro, mas foi adiado em razão da pandemia da Covid-19.

Condenados junto com Manhanã em 2017, os policiais militares Fabrício Eleutério e Thiago Henklain foram condenados com penas que chegam a mais de 500 anos e permanecem presos desde 2017. 

Julgamento

Realizado no Fórum Criminal de Osasco, o julgamento durou cinco dias. A previsão inicial era de ouvir 40 testemunhas, sendo quatro comuns, 20 de acusação e 16 de defesa, mas 16 delas foram dispensadas no primeiro dia.  

Seis testemunhas foram ouvidas no início dos trabalhos, sendo dois delegados, um capitão da Polícia Militar, duas vítimas sobreviventes e um filho de vítima. Já no segundo dia, 10 pessoas foram ouvidas, sendo quatro de acusação e seis de defesa. 

No terceiro dia de júri, as oito testemunhas faltantes foram ouvidas. E, no quarto, os réus foram interrogados, bem como houve debate entre a defesa e os promotores do Ministério Público, em um julgamento que durou pouco mais de 12 horas. 

No último dia de julgamento, a promotoria de Justiça, responsável pela acusação, optou por dar início á réplica. Ou seja, continuar em debate por mais duas horas. A defesa, por sua vez, optou pela tréplica e os discursos se estenderam até às 14h30.

Com o término da argumentação entre as partes, os jurados decidiram por absolver Cristilder e Manhanhã, após reunião na “Sala Secreta”. A sentença foi lida pela juíza Élia Kinosita, que julgou o caso.