Investimento em ciência no país chegou a patamar insustentável, diz geneticista

Para Mayana Zatz, Brasil poderia estar em outro patamar de desenvolvimento de vacinas caso apoiasse mais as pesquisas acadêmicas

Produzido por Elis Franco, da CNN, em São Paulo
15 de março de 2021 às 23:37

O Brasil poderia estar na dianteira da produção de vacinas para sua população se o investimento em ciência fosse maior, avalia a geneticista da Universidade de São Paulo (USP), Mayana Zatz, em entrevista à CNN na noite desta segunda-feira (15). 

"Acho que nunca se falou e se valorizou tanto a ciência quanto nesse momento triste. Os países desenvolvidos que investiram em ciência estão colhendo os resultados, por isso foi possível fazer várias vacinas em tempo recorde. Uma pena que o Brasil está na contramão disso, pois recebemos cada vez menos investimento em ciência do governo federal", compara.

A geneticista Mayana Zatz (15.mar.2021)
Foto: Reprodução/CNN

Mayana afirma que, ano a ano, o valor destinado à ciência no país cai. "Desde o governo Dilma a coisa vem diminuindo e chegou a um patamar insustentável. Temos cientistas muito dedicados no Brasil, mas a gente tenta fazer ciência do jeito que dá. É absolutamente impossível competir com o primeiro mundo".

A capacidade de produzir imunizantes contra a Covid-19 também seria maior, caso o setor fosse levado a sério. "Poderíamos fabricar vacinas aqui sem depender de importação do primeiro mundo, desde que houvesse investimento e interesse político".