Transporte Público do Rio registra queda superior a 50% no número de passageiros

Dados obtidos com Rio Ônibus revelam que a média diária de passageiros transportados caiu de 3,5 milhões para 1,8 milhão no último ano

Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro
17 de março de 2021 às 16:19
Ônibus
Ônibus da cidade do Rio de Janeiro
Foto: Reprodução

Os transportes públicos da cidade do Rio de Janeiro registraram uma queda de 51% no número de passageiros durante o primeiro ano de pandemia do novo coronavírus. A redução no movimento também causou um grande prejuízo financeiro para o setor na capital fluminense. 

Dados obtidos com o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus) revelam que a média diária de passageiros transportados caiu de 3,5 milhões para 1,8 milhão no último ano. A CNN apurou que as concessionarias dos coletivos acumularam um déficit de R$1,2 bilhão.

O sindicato Rio Ônibus congrega as 36 empresas operadoras do transporte de passageiros do município do Rio de Janeiro (incluindo ônibus, trens, VLT, barcas e metrô) e o sistema BRT (Bus Rapid Transit).

Para Paulo Valente, porta-voz do setor, é necessária uma intervenção financeira do poder público para manter o funcionamento dos transportes públicos. “Nós queremos garantir a qualidade do deslocamento dos cariocas, mas como fazer isso com apenas metade da receita?”, indagou.  

O consórcio responsável pela administração dos ônibus articulados das três linhas do BRT, localizados na cidade do Rio, relatou à CNN que a empresa teve uma perda de receita de R$ 215 milhões.  “A quantidade de passageiros transportados antes da pandemia era de 340 mil por dia, hoje são cerca de 170 mil”, ressalta o comunicado da concessionária. 

Já o metrô na capital acumulou perdas de mais de R$ 600 milhões. No período anterior à pandemia, a empresa transportava, em média, 900 mil passageiros por dia. Atualmente, a redução ainda é de 55%.

O isolamento social em decorrência da Covid-19, em conjunto com as altas taxas de desemprego, são responsáveis pela redução de passageiros nos transportes públicos. A adoção do home-office, trabalho remoto, determinou o pouco movimento no centro da cidade e nas áreas empresariais. 

A CNN já havia veiculado que mais e um milhão de pessoas perderam seus postos de trabalho no estado do Rio de Janeiro no intervalo de um ano, entre o quarto trimestre de 2019 e o mesmo período de 2020.