Doria diz que vai se mudar para sede do governo após receber ameaças

Em nota, governador disse que manifestações na porta da residência dele também perturbam o bairro e vizinhos

Anna Satie, da CNN em São Paulo
29 de março de 2021 às 17:24 | Atualizado 30 de março de 2021 às 00:54

O governador João Doria (PSDB) disse nesta segunda-feira (29) que se mudará com a família para o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, após receber ameaças. 

Em comunicado à imprensa, Doria disse que negacionistas da pandemia estão ameaçando a segurança da família dele e se manifestando agressivamente na porta de sua residência, perturbando o bairro e os vizinhos. 

"Diante do radicalismo, decidi me mudar para o Palácio dos Bandeirantes. Ao menos, temporariamente. Regredimos a tempos obscuros em que a integridade física daqueles que defendem a vida e a democracia está sob ameaça", escreveu.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (24)
Foto: CNN (24.mar.2021)

 

Leia a nota na íntegra:

O negacionismo na pandemia deixou de ser um delírio das redes sociais, provocado pela paixão política, e está se tornando algo muito mais perigoso para a vida, a ciência e a democracia: uma seita intolerante e autoritária.

Tenho enfrentado os seguidores dessa seita com inquéritos policiais e ações judiciais, com medidas sanitárias e vacinas, instrumentos da lei e da razão.

O fanatismo ideológico, porém, ignora a racionalidade e a legalidade. Ele tem ultrapassado os limites do embate político e do questionamento técnico com ameaças à segurança da minha família e agressivas manifestações na porta da minha residência, perturbando o bairro e vizinhos. Diante do radicalismo, decidi me mudar para o Palácio dos Bandeirantes. Ao menos, temporariamente.

Regredimos a tempos obscuros em que a integridade física daqueles que defendem a vida e a democracia está sob ameaça.

Vivi esse mesmo sentimento quando acompanhei meu pai no exílio, um democrata cassado pela ditadura. Dessa vez, no entanto, não haverá exílio, nem ditadura. Haverá ciência, vacinas, vidas salvas e democracia.

Meu desprezo por estes extremistas que ameaçam a mim, a minha família e ameaçam pessoas que defendem a vida. É uma decisão difícil, mas necessária nesse momento de muita intolerância ao pensamento contraditório, de belicismo verborrágico e de cegueira ideológica.

(*Com informações de André Rosa, da CNN em São Paulo)