Babá de Henry Borel será ouvida pela polícia nos próximos dias

Investigadores querem saber o motivo pelo qual Thayná de Oliveira Ferreira mentiu em depoimento

Ana Lícia Soares e Everton Souza, da CNN, no Rio de Janeiro
09 de abril de 2021 às 06:58 | Atualizado 09 de abril de 2021 às 13:53

Apesar de o vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho (sem partido), e Monique Medeiros terem sido presos preventivamente no inquérito que apura a morte do filho dela, Henry Borel, de 4 anos, as investigações continuam. A Polícia Civil vai ouvir novamente Thayná de Oliveira Ferreira, babá de Henry Borel

Nos primeiros depoimentos prestados, em que todos ainda eram testemunhas, os investigadores encontraram divergências nas informações. Agora, a polícia quer saber por qual motivo a babá mentiu em depoimento. Thayná disse à polícia que Henry Borel e Jairinho não tinham atritos, mas uma perícia feita no celular dela mostrou que Thayná vinha denunciando para a mãe de Henry que a criança vinha sofrendo agressões do padrasto. 

Jairinho e Monique Medeiros passaram a noite em presídios diferentes. Ela deu entrada no Instituto Penal Ismael Sirieiro, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. Dr. Jarinho foi encaminhado para o presídio Pedrolino Werling de Oliveira, em Gericinó, na Zona Oeste da capital. O casal foi indiciado por tortura e homicídio duplamente qualificado por motivo torpe, quando não há chance de defesa da vítima.

Segundo informações da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), devido a pandemia do coronavírus, ambos cumprirão isolamento social inicial de 14 dias, como acontece com todos que ingressam no sistema prisional.

Nos próximos dias, o Conselho de Ética da Câmara dos Vereadores vai pedir acesso aos autos do processo que investiga a morte de Henry para decidir uma possível suspensão ou até mesmo cassação do mandato de vereador. Por enquanto, o Conselho de Ética decidiu, em reunião, afastar o vereador do cargo que ocupava no grupo. O Conselho também vai solicitar à Justiça acesso aos autos da investigação que resultou na prisão temporária do vereador na manhã desta quarta-feira, para analisar as denúncias que poderão embasar um pedido de cassação do mandato do parlamentar por quebra de decoro.

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Foto: Reprodução/Instagram

Pelas regras da Câmara dos Vereadores, depois de 31 dias preso, Dr. Jairinho será automaticamente afastado do cargo, já o regimento da Casa determina que um parlamentar não pode ficar 30 dias sem participar das atividades do Legislativo. Com a prisão, Jairinho também teve o salário suspenso. O gabinete dele, no entanto, ainda não foi desmontado e os funcionários vão continuar recebendo. 

Depois de 120 dias de ausência, a Casa deve convocar um vereador suplente. 

Também nesta quinta-feira (08), o Conselho de Ética da Câmara Municipal do Rio decidiu, em reunião, afastar o vereador do cargo que ocupava no grupo. O Conselho também vai solicitar à Justiça acesso aos autos da investigação que resultou na prisão temporária do vereador para analisar as denúncias que poderão embasar um pedido de cassação do mandato do parlamentar por quebra de decoro. Além disso, o partido Solidariedade, o qual o suspeito era filiado, divulgou a expulsão de Dr. Jairinho da legenda. 

Monique Medeiros é professora concursada do município do Rio, mas estava cedida ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro depois que conheceu o vereador. O salário dela passou de cerca de R$ 4 mil para pouco mais de R$ 12 mil. Nesta quinta, ela foi exonerada do TCM e devolvida a origem.