Defesa de Monique quer provar que Jairinho exercia a medicina e foi negligente

Advogados pediram à Polícia Civil para ter acesso a informações sobre medicamentos receitados pelo vereador e médico

Isabelle Saleme e Pedro Durán, da CNN, no Rio de Janeiro
26 de abril de 2021 às 20:00 | Atualizado 26 de abril de 2021 às 20:08
Henry Borel ao lado da mãe, Monique Medeiros
O menino Henry Borel ao lado da mãe, Monique Medeiros; polícia investiga ela e padrasto, o deputado Dr. Jairinho, pela morte da criança
Foto: Reprodução/CNN Brasil

A defesa de Monique Medeiros pediu que a Polícia Civil do Rio de Janeiro acione a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o órgão fiscalizador estadual competente para que seja fornecido um relatório de todas as eventuais receitas médicas subscritas Jairinho.

Segundo a apuração da CNN, a ideia da equipe de advogados é provar que Jairinho, apesar de dizer o contrário, exercia a medicina e teria condições de prestar os primeiros socorros a Henry Borel em vez de levar o menino ao hospital na madrugada em que foi morto.

Na carta que teria sido escrita por Monique já depois de presa e que foi divulgada pela defesa da professora, a mãe da criança conta que Jairinho costumava dar remédios para que ela dormisse. Em um trecho do documento, ela afirma que viu o namorado "macerando um comprimido dentro da minha taça".

Ela conta que os dois começaram a brigar e a discussão culminou em uma agressão por parte do vereador. “(Jairinho) me segurou bem forte pelos braços e me jogou no sofá (...), me jogou na cama, todas as vezes que eu tentava me levantar, ele me empurrava com mais força, até conseguir deixar meus braços roxos”, conta ela no texto escrito à mão.

No texto, Monique afirma, também, que o médico e vereador deu remédios para ela dormir na noite em que Henry morreu. "De madrugada ele me acordou dizendo para eu ir até o quarto, que ele pegou Henry do chão, o colocou na cama e que meu filho estava respirando mal. Fui correndo até o quarto, meu filho estava de barriga para cima, descoberto, com a boca aberta, olhando para o nada e pensei que tivesse desmaiado. Pedi pro Jairinho olhar ele, mas ele passou por nós pra ir até o banhheiro! (...) Então envolvi Henry numa manta e corremos para a emergência", escreve ela.

Em uma nota à imprensa, a defesa de Monique disse, ainda, que a carta escrita pela professora, que está presa desde 9 de abril, foi protocolada junto à Delegacia da Barra da Tijuca, na zona oeste, que investiga o caso. Os advogados continuam afirmando que Monique precisa prestar um novo depoimento para contar aos investigadores o que seria “a verdade”.

Segundo a equipe, a professora foi coagida a mentir na primeira oitiva. “Um Inquérito Policial não pode ser encerrado com contradições internas. Se existiram várias novas audições de pessoas que já tinham prestado declarações e alteraram seus depoimentos, maior razão ainda deveria ter a Autoridade Policial para ouvir novamente Monique”, afirmam os advogados Thiago Minagé, Hugo Novais e Thaise Mattar Assad, que assinam o texto.

A expectativa é de que o inquérito policial que apura a morte do menino Henry, de quatro anos, seja concluído até terça-feira (27).