Medicamentos para intubação de pacientes com Covid-19 são entregues ao RJ

A remessa foi enviada pelo Ministério da Saúde ao estado do Rio, na noite dessa terça-feira (25)

Isabelle Resende e Everton Souza, da CNN, no Rio de Janeiro
25 de maio de 2021 às 21:07 | Atualizado 25 de maio de 2021 às 21:13
Leitos de UTI no Hospital Ronaldo Gazzola, na zona norte do Rio de Janeiro
Leitos de UTI no Hospital Ronaldo Gazzola, na zona norte do Rio de Janeiro, durante pandemia da Covid-19
Foto: Wilton Júnior/Estadão Conteúdo (10.mar.2021)

Já estão disponíveis para retirada os medicamentos do Kit Intubação, usados em pacientes com sintomas graves de Covid-19. A remessa foi enviada pelo Ministério da Saúde ao estado do Rio, na noite dessa terça-feira (25). 

Ao todo são 181.189 ampolas de sete medicamentos:

  • Atracúrio 25mg/ 2,5ml;
  • Cisatraúrio 10mg;
  • Dexmedetomidina;
  • Cloridato 100mcg/ml (2 ml);
  • Epinefrina 1mg/ml (1ml);
  • Suxametônio;
  • Cloreto 100 mg;
  • Fentanila;
  • Citrato 0,05 mg/ml (10 ml);
  • Propofol 10 mg/ml (50 ml).

Fica à cargo das secretarias municipais de saúde agilizar a retirada dos medicamentos, localizados na Coordenação Geral de Abastecimento (CGA), em Niterói e distribuir às unidades hospitalares.

A secretaria estadual de Saúde ressaltou ainda a importância dos hospitais preencherem, semanalmente, o formulário eletrônico com informações sobre os estoques, conforme pactuado na Comissão Intergestores Bipartite (CIB).

O governo do Rio disse, em nota, que todas as unidades têm sido abastecidas frequentemente. E ressalta que a falta de algum medicamento não representa, necessariamente, que o hospital esteja sem alternativas viáveis para tratar os pacientes intubados. Caso não haja algum item, os médicos podem lançar mão de outros medicamentos da mesma classe terapêutica ou em diferente apresentação (volume) para fazer a substituição. 

A secretaria afirma que a falta de algum medicamento no estoque central do Estado não significa que as unidades hospitalares estejam desabastecidas. Os itens do “kit intubação” devem ser adquiridos pelos hospitais e pelas secretarias municipais de Saúde. 

A pasta afirma que vem buscando alternativas viáveis para manter o abastecimento de unidades de saúde que atendem pacientes em tratamento de Covid-19 com anestésicos, sedativos e relaxantes musculares utilizados no processo e na manutenção da intubação de pacientes. Mas ainda não tem um acordo de compra efetivado. 

Pelo menos, cinco hospitais na cidade do Rio de Janeiro já apresentam problemas com a falta de medicamentos para o “kit intubação”.  A lista inclui os Hospitais Municipais Souza Aguiar, Miguel Couto, Albert Schweitzer e Rocha Faria e os Hospitais da Rede Federal do Andaraí e dos Servidores do Estado. Todas as unidades fazem parte do plano de contingência estadual contra a pandemia. 
O bloqueador neuromuscular cisatracúrio, o analgésico fentanila, o sedativo propofol e o naloxona são alguns dos medicamentos denunciados e que estão em falta, segundo profissionais de saúde. 

A secretaria ressalta que o suprimento desses medicamentos é de responsabilidade dos gestores da unidade hospitalar e/ou do município gestor. 

Um documento da área técnica da SES -RJ, obtido pela CNN, do dia 26 de março, já alertava para a situação de colapso em unidades de saúde do Estado em virtude da falta de remédios que compõem o “kit-intubação”. O parecer informava a “demanda inesperada” pelos remédios em virtude da alta quantidade de pacientes internados com coronavírus na rede estadual. O documento trazia apelos de pelo menos cinco unidades de saúde com falta desses medicamentos, pedido de ajuda ao governo do estado e reforçava a necessidade do governo do Rio de Janeiro comprar urgentemente dos remédios.