Caso Marielle: Anistia se diz preocupada com afastamento de promotoras

Grupo cobra investigação sobre motivos que levaram dupla a deixar o caso

Iuri Corsini e Rayane Rocha, da CNN, no Rio de Janeiro
12 de julho de 2021 às 16:03 | Atualizado 13 de julho de 2021 às 01:02

 

O afastamento das promotoras Simone Sibílio e Leticia Emile, responsáveis por investigar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, causou preocupação à Anistia Internacional Brasil.

As duas integravam a força-tarefa criada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e estavam à frente das investigações desde setembro de 2018, cinco meses após o crime. Até o momento, a dupla não foi exonerada oficialmente. O desligamento das funções só será formalizado após publicação no Diário Oficial interno do MP. 

Em nota, a Anistia disse que acompanha as movimentações em torno da saída das promotoras e exige que as autoridades deem respostas sobre a lisura na condução do processo. Tanto Simone Sibílio, que atuava como coordenadora da investigação, como a promotora assistente Leticia Emile comunicaram que optaram por não continuar trabalhando no caso por conta do receio e da insatisfação com “interferências externas”. 

A entidade informou ainda que há mais de 130 dias enviou um ofício ao governador do Rio, Cláudio Castro, requisitando uma reunião online com o chefe do Palácio Guanabara. Segundo o organismo internacional, a solicitação foi feita em parceria com o Instituto Marielle Franco (IMF), mas, até o momento, não houve retorno do governador. A CNN entrou em contato com o governo do estado para mais comentários e aguarda um posicionamento. 

A irmã de Marielle, Anielle Franco, também se pronunciou sobre a troca das promotoras, que deve acontecer nos próximos dias. Nas redes sociais, ela postou um vídeo afirmando que “é inadmissível isso ainda estar acontecendo depois de tanto tempo sem respostas.” Anielle alegou que a saída das promotoras, que acompanham o caso desde o início, pode comprometer o andamento das investigações. 

O procurador-geral de Justiça do MPRJ, Luciano Mattos, declarou que alterações como essas são comuns. Mattos disse que não acredita que as mudanças causarão prejuízos, principalmente no que diz respeito a um possível atraso nas diligências até que os novos encarregados pelas apurações assumam os postos e se integrem totalmente sobre a força-tarefa.

Vereadora Marielle Franco foi assassinada em 2018
Foto: Renan Olaz - 08.mar.2017/CMRJ