Políticas públicas garantem o acesso básico à alimentação, afirma especialista

Fome pode ter atingido até 811 milhões de pessoas em todo o planeta, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU)

Produzido por Vianey Bentes e Rudá Moreira, da CNN, em Brasília
16 de julho de 2021 às 08:30

Cresceu o número de pessoas que passam fome pelo mundo no ano passado, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com os dados, a fome pode ter atingido até 811 milhões de pessoas em todo o planeta. Além disso, cerca de 160 milhões não conseguiram sequer ter acesso à quantidade de alimentos suficientes para cobrir as necessidades.

Em entrevista à CNN, Gustavo Chianca, representante adjunto da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), afirmou que é preciso uma implementação de políticas públicas fortes para garantir o acesso básico à alimentação no Brasil, como o de programas como o Bolsa Família, o auxílio emergencial durante a pandemia de Covid-19 e a alimentação escolar para crianças e jovens.  

“Esses dados mostram as pessoas em insegurança alimentar, ou seja, pessoas no mundo que não tiveram condição de se alimentar ao menos uma vez por ano ou que alimentação não foi o suficiente naquele período. Isso é muito grave. Houve um aumento importante com a Covid-19 na fome do mundo, e teve um impacto no Brasil”, disse Chianca.

Segundo o especialista, desde o início da pandemia do novo coronavírus, o país tem 23,5% de pessoas a mais em insegurança alimentar. “Aumentamos 12,1 milhões de pessoas no país em insegurança alimentar. Isso devido a crise da Covid-19, que traz impacto um econômico.” 

No início de junho, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse que o Brasil deve se tornar o maior produtor de alimentos do mundo. Questionado como isso é possível, uma vez que tanta gente passa fome no país, Chianca explicou que a questão da fome não está relacionada apenas com a produção de alimentos. 

“O Brasil é um importante exportador de alimentos, garante a segurança alimentar de muitos países que podem comprar e não podem produzir o suficiente para alimentar sua população. Mas tem uma série de outras questões, principalmente a econômica. O acesso aos alimentos se dá, na maioria dos casos, pela compra. Você pode ter muito alimento num supermercado ao lado de casa, mas não ter como comprar.”