Governo não adotou critérios de segurança para comprar vacinas, diz Donizette

À CNN, o ex-presidente da Frente Nacional de Prefeitos disse que prefeitos se recusaram a comprar vacinas com empresas intermediárias

Camila Neumam, da CNN, em São Paulo
20 de julho de 2021 às 11:12

O ex-presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Jonas Donizette afirmou, em entrevista à CNN nesta terça-feira (20), que o governo federal não adotou critérios básicos de segurança para a compra de vacinas contra Covid-19, o que resultou em negociações com empresas terceiradas.

Segundo Donizette, a FNP conversou com representantes da Davati, mas não de forma presencial, e que a frente criou critérios para evitar a compra de vacinas com empresas intermediárias, o que chamou de 'conto do vigário'. 

"O governo federal deixou a coisa desalinhada entre estados e municípios e começou uma demanda da população por vacina. Na época, fizemos uma união e tomamos cuidados básicos, que era o esperado, como a expectativa da vacina era muito grande, não [podíamos] cair no conto do vigário", disse.

Segundo Donizette, o fato da frente ter sido procurada por muito intermediadores que queriam fornecer vacinas, fez a FNP procurar os laboratórios que produzem as vacinas para saber se tinham intermediários e, segundo ele, a resposta foi negativa.

"A reunião [com a Davati] não foi presencial. Começou com contatos eletrônicos. Era uma quantidade mutio grande, não só da Davati. Primeiro, mandamos carta para todos os laboratórios de vacina. Contratamos pessoas especializadas. Enviamos carta aos laboratórios questionando se alguém falava pelo nome deles e responderam que não. Fizemos contato também com as embaixadas dos países", afirmou. 

Diante das negativas, Donizette disse que a FNP adotou a política de não negociar vacinas contra Covid-19 com empresas intermediárias.

"Não faça negociação com agentes que não seja governamentais. A FNP fez essa recomendação para todos os afiliados. Com a CPI nós percebemos o quanto de pessoas estão tentando burlar e tirar vantagem. Muito me surpreende o governo federal não ter adotado estes critérios que foram adotados pela FNP", completou.

O ex-prefeito de Campinas (SP), disse ainda que este posicionamento fez com que as empresas intermediárias não tivessem sucesso em tentar negociar com os prefeitos brasileiros.

"A primeira orientação que a gente deu: não faça nada sem ter aval de governo, embaixada ou de laboratórios. Isso fez com que qualquer tentativa de compra de vacinas ilegais não tivesse sucesso com as prefeituras", afirmou.