Comissão barra inclusão de medicamento para tratamento de obesidade no SUS

Decisão da Comissão do Ministério da Saúde levou em consideração o impacto financeiro da incorporação, estimado em R$8 bilhões anuais

Helena Barra e Julia Farias, da CNN*, São Paulo
Caneta é produzida pela farmacêutica Novo Nordisk  • Tatsiana Volkava/GettyImages
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A Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único) deu parecer contrário à incorporação de medicamentos para tratamento de obesidade no SUS.

Segundo o Ministério da Saúde, a decisão da comissão considerou o impacto financeiro, estimado em R$ 8 bilhões anuais, da inclusão das medicações à base de liraglutida e de semaglutida no Sistema Único de Saúde.

O tratamento avaliado, denominado Wegovy (semaglutida 2,4mg), é feito pela farmacêutica Novo Nordisk. A empresa também produziu o Saxenda (liraglutida injetável 3 mg), que passou por avaliação da Conitec em 2023, mas não obteve avanço.

Apesar de não ser disponibilizada em todo o país, a caneta Saxenda está inclusa em programas estaduais no Distrito Federal, Goiás e no Rio de Janeiro.

"A Novo Nordisk compreende que o histórico subfinanciamento do SUS, somado ao contexto de desequilíbrio fiscal, restrições orçamentárias e obsolescência dos mecanismos de incorporação vigentes atualmente, impõem desafios para oferta de tecnologias inovadoras de saúde à população em nível nacional, mesmo quando estas são evidentemente custo-efetivas", informou a farmacêutica em nota.

"Desde 2019, a CONITEC negou cinco vezes a incorporação de medicamentos para a obesidade, sempre com a mesma justificativa (impacto financeiro)", relatou a Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), em nota enviada à CNN. 

*Sob supervisão de AR.