Ex-secretário de Saúde do RJ é alvo de operação da Polícia Federal

Agentes estão no prédio onde Fernando Ferry mora na Tijuca, Zona Norte do RJ

Isabelle Saleme e Thayana Araújo, da CNN, no Rio de Janeiro

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A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) fazem nesta quarta-feira (10) uma operação no Rio de Janeiro para cumprir cinco mandados de busca e apreensão na Tijuca, na zona norte da cidade, na Barra da Tijuca, zona oeste, e em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. 

Os 8 auditores da CGU e de 22 policiais federais se dividiram nos endereços. Um dos alvos da ação é o ex-secretário estadual de Saúde, Fernando Ferry. 

A Operação Desmascarados tem objetivo de combater desvios de recursos públicos na área da saúde, praticados no Hospital Universitário Gafreé Guinle (HUGG), ligado à UNIRIO. A investigação teve origem em uma auditoria, que verificou um possível direcionamento de procedimentos de dispensa de licitação para aquisição de equipamentos de proteção individual durante a pandemia do Coronavírus.

Segundo a Polícia Federal, em uma compra que teve a licitação dispensada no valor de R$ 1.280.450,00 foram adquiridas 6.500 máscaras, por R$ 47,80 cada, e 6.500 aventais, ao preço unitário de R$ 49,50. 

Em chamamento público feito pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares os itens foram cotados por R$ 12,50 e R$ 15,00, respectivamente. Nesta aquisição, a CGU apontou sobrepreço no valor de R$ 650.270,00, e um superfaturamento, de R$ 398.444,00.

Ainda segundo a CGU, o Governo do Estado do Rio de Janeiro recebeu R$ 1.870.855.788,62 repassados pelo SUS em 2020, especificamente para ação de prevenção e combate à Covid-19

O prejuízo em torno de R$ 1 milhão detectado pela investigação impossibilitaria que o Hospital Universitário Grafreé Guinle adquirisse mais insumos, materiais e equipamentos necessários no atendimento à população, o que torna o crime ainda mais grave em meio à pandemia.

As investigações indicam também o favorecimento de determinado grupo de empresas, que possivelmente operavam com laranjas, e a conivência de funcionários públicos no esquema. Na época em que as fraudes teriam acontecido, Ferry era diretor geral da unidade hospitalar, que é referência em tratamento de HIV. Os investigados respondem por organização criminosa, peculato e fraudes em licitação.

Ex-secretário no alvo

Fernando Ferry
Fernando Ferry, ex-secretário de Saúde do RJ, é um dos alvos da operação da PF e da CGU
Foto: Divulgação/Governo

Fernando Ferry deixou a direção do Hospital Universitário Gaffree e Guinle e foi anunciado Secretário Estadual de Saúde do Rio no dia 17 de maio de 2020. 

Ele assumiu a pasta no dia seguinte, ocupando o cargo deixado por Edmar Santos, em meio a uma das maiores crises sanitárias do estado. O governo de Wilson Witzel enfrentava denúncias de fraudes em licitações para a compra de respiradores, aparelhos essenciais no tratamento dos casos mais graves da Covid-19. 

Também havia denúncias de fraudes na gestão dos hospitais de campanha que foram prometidos. Ferry ficou no cargo apenas por um mês e quatro dias. Na saída, ele alegou falta de autonomia e disse que a pasta estava no meio de um “mar de lama”.

Na ação desta quarta-feira, o médico não foi encontrado em casa. Ferry está em São Paulo para acompanhar o vestibular do filho. À CNN, disse que voltaria ainda nesta quarta-feira para o Rio de Janeiro. 

Em nota, o ex-diretor do HUGG informou que “no início da epidemia compramos máscaras e capotes com preço alto, o mesmo da (pago pela) prefeitura (…) na época os preços subiram 5.000%”. 

Ele afirmou que o processo de compra, no entanto, foi bem instruído e que o mapa de preços tem consulta com 20 empresas. O ex-secretário também afirmou que “já sabia que viria retaliação”, se referindo a saída do governo Witzel e às declarações dadas na época.

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