Castro: "Não preciso que o governo federal venha fazer meu trabalho"
Governador nega pedido de GLO e afirma que forças estaduais estão preparadas para enfrentar o crime organizado

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, negou nesta quarta-feira (29) que tenha pedido uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO) ao Governo Federal após a operação que deixou mais de 100 mortos no estado. Segundo ele, a segurança pública do Rio está estruturada e não precisa de intervenção militar.
A declaração foi feita em coletiva de imprensa ao lado do ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Ricardo Lewandowski.
“Em momento nenhum se falou em GLO. Esse termo veio à tona somente porque eu falei da questão dos blindados, que em outras ocasiões nós tínhamos requerido e foi negado porque haveria necessidade de uma GLO”, afirmou.
“Eu não preciso que o Governo Federal venha aqui fazer o meu trabalho, como em outras épocas se precisou. O que nós precisamos é que cada ente faça o seu trabalho, mas de forma integrada”, completou.
Castro disse que a estrutura policial do estado é hoje “completamente diferente” da de 2018, quando o Rio viveu uma intervenção federal: “Hoje nós temos um salário decente, nós temos equipamento, nós temos infraestrutura, temos tecnologia, temos logística".
O governador afirmou ainda que o Rio de Janeiro “tem condições de vencer batalhas, mas não de vencer a guerra sozinho”. Ele classificou o resultado da operação como uma vitória das forças policiais, mas lamentou as quatro mortes de agentes.
Terrorismo ou facção?
Durante a coletiva, o ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Ricardo Lewandowski, destacou a diferença entre terrorismo e facções criminosas.
"Uma coisa é terrorismo, outra são facções criminosas. O terrorismo envolve sempre uma nota ideológica, uma atuação política, repercussão social e fatores ideológicos. Já as facções criminosas são constituídas por grupos que sistematicamente praticam crimes previstos no Código Penal. É muito fácil identificar o que é uma facção criminosa. Já o terrorismo envolve uma avaliação mais subjetiva".
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Há cerca de oito meses, o governo do Rio de Janeiro entregou ao governo de Donald Trump um relatório que, segundo fontes próximas ao governador Cláudio Castro, comprova que o Comando Vermelho é um "grupo terrorista com atuação nos Estados Unidos."
O debate voltou à tona após uma operação policial no estado que resultou na morte de mais de 100 suspeitos. Lewandowski reforçou que não há intenção de confundir os dois tipos de atuação, pois isso dificultaria o combate às organizações criminosas.
"Mesmo objetivo"
O governador e o ministro anunciaram uma cooperação entre os governos estadual e federal para enfrentar o crime organizado no Rio de Janeiro.
Cláudio Castro destacou a importância da união das forças para garantir segurança à população: "Independente de erros ou acertos, saímos daqui hoje com uma grande oportunidade".
O governador também informou que o governo federal prontamente ofereceu apoio, com a criação de um Escritório Emergencial para o enfrentamento ao crime organizado e ações coordenadas com a Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF).


