Após Bolsonaro negar negociação, Alcolumbre suspende votação de vetos


Da CNN Brasil, em São Paulo
03 de março de 2020 às 20:52 | Atualizado 03 de março de 2020 às 22:33
Davi Alcolumbre no Senado Federal

 

Photo: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Logo após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) publicar em seu perfil do Twitter que não havia negociado para conseguir a manutenção dos vetos sobre o Orçamento impositivo nesta terça (3), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), suspendeu a sessão do Congresso sobre o tema.

Deputados e senadores votariam ainda hoje os projetos de lei enviados pelo governo para regulamentar o Orçamento. Estão em jogo o controle sobre R$ 30 bilhões em emendas. Após longa negociação, a equipe de Bolsonaro e os líderes do Congresso concordaram em manter R$ 15 bilhões com os parlamentares — o restante seria direcionado a órgãos do poder federal. 

Bolsonaro negou, porém, ter negociado em torno do valor previsto no Orçamento impositivo. Pelo Twitter, disse que a proposta do governo foi mantida.

 

“Não houve qualquer negociação em cima dos 30 bilhões. A proposta orçamentária original do Governo foi 100% mantida”, escreveu. “Com a manutenção dos vetos está garantida a autonomia orçamentária do Executivo. O PL encaminhado hoje preserva a programação original formulada pelo governo”.

Uma hora depois, Alcolumbre determinou a suspensão da votação. A conclusão dos vetos foi adiada para amanhã e a votação dos projetos enviados pelo Executivo, para a próxima terça-feira (10). 

"Suspendi a sessão do Congresso de hoje, após definirmos, com os líderes partidários das duas Casas, que os PLNs que regulamentam o orçamento impositivo atenderão aos prazos regimentais de tramitação", postou Alcolumbre no Twitter.

Mais cedo, ele havia prometido a manutenção dos vetos. "Vamos manter o veto presidencial que foi acordado e vamos agora votar o orçamento, a regulamentação do orçamento impositivo", disse em entrevista. Segundo ele, o gesto acabaria com a controvérsia em torno do orçamento de 2020. "Essa polêmica não faz bem para o Brasil".

Crise entre Executivo e Legislativo

A indefinição sobre o Orçamento impositivo tem acirrado os ânimos no governo. Em fevereiro, o general Augusto Heleno, comandante do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) chamou o Orçamento impositivo de "chantagem". "Não podemos aceitar esses caras chantageando a gente", disse ele, em áudio captado durante uma transmissão ao vivo da presidência da República.

A fala do ministro serviu como pretexto para que internautas planejassem um ato para dia 15 de março, contra o Congresso, o STF e o que chamam de "parlamentarismo branco".

Bolsonaro foi criticado após a divulgação de que ele compartilhou um vídeo convidando para um ato em seu favor nessa mesma data. A sequência não faz menção ou ataque a nenhuma instituição. 

Após notas contrárias de congressistas e ministros do STF, Bolsonaro disse em transmissão ao vivo no Facebook que o material era de 2015. No entanto, o filmete continha imagens da facada que levou durante a campanha eleitoral de 2018.