Fachin suspende processo de rescisão da delação do Grupo J&F


Gabriela Coelho Da CNN Brasil, em Brasília
09 de março de 2020 às 20:12 | Atualizado 05 de junho de 2020 às 16:22
Ministro Edson Fachin durante sessão da 2ª turma do STF

Ministro Edson Fachin durante sessão da 2ª turma do STF

Foto: Nelson Jr. - 3.mar.2020/SCO/STF

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu nesta segunda-feira (9/3), o processo de rescisão da delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, sócios do Grupo J&F, e do ex-executivo Ricardo Saud, no Supremo Tribunal Federal. 

A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República, que avalia a repactuação do acordo com os delatores do grupo e tem até 6 de maio para concluir as negociações.

Considerada uma das mais fortes delações fechadas na esteira da Lava Jato, a delação atingiu o ex-presidente Michel Temer (MDB), que foi alvo de duas denúncias de corrupção pela PGR na Câmara dos Deputados (ambas rejeitadas). As informações dos delatores também recaíram sobre o então senador Aécio Neves (PSDB-MG), hoje deputado federal.

Entretanto, a colaboração da J&F passou a ser reavaliada depois que gravações indicaram que Marcelo Miller, ex-procurador, teria orientado Joesley Batista e seu grupo para as tratativas com a PGR sobre o acordo de colaboração.

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot pediu a rescisão do acordo de delação em setembro de 2017. Segundo Janot, os acusados omitiram a participação de Miller e uma conta bancária atribuída a Saud no Paraguai. 

Raquel Dodge e Augusto Aras, que sucederam Janot na PGR, também se manifestaram a favor da rescisão. Na decisão desta segunda, entretanto, Fachin não retirou o processo da pauta de julgamentos do plenário no dia 17 de junho.