Mourão defende manifestação de apoio a Bolsonaro mas descarta participação


Rudá Moreira CNN Brasil. Brasília
09 de março de 2020 às 11:52 | Atualizado 09 de março de 2020 às 11:57
Presidente em exercício falou sobre as manifestações em 15 de março

 

Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil

Durante a chegada no Palácio do Planalto, na manhã desta segunda-feira (9), o presidente da República em Exercício, Hamilton Mourão, falou sobre os protestos à favor do Governo, marcados para o próximo dia 15.

Mourão defendeu que “a manifestação faz parte da vida democrática, desde que ordeira e pacífica”. No entanto, ao ser questionado por jornalistas se vai a alguma das mobilizações, ele riu e devolveu a pergunta. “Já me viu participar de algum ato? Tá fora do meu escopo isso aí.”

Em dia de nova alta máxima do dólar frente ao real e de quedas recordes na Bolsa de Valores e no preço internacional do barril de Petróleo, o presidente em exercício minimizou os impactos econômicos do avanço do novo coronavírus na economia: “É uma situação normal, transitória e que acredita-se aí que mais uns dois meses a partir do momento em que a situação da China melhorar, os marcados vão se reequilibrar. É lógico, né?”, relativizou. 

O general disse ainda que as flutuações são resultado do temor gerado na população pela maior propagação de notícias pela internet: “A gente sabe que essa é a primeira epidemia da internet, por isso que existe, vamos colocar assim, um ‘pânico’ e que não é compatível com a realidade. Apesar de haver mortes, vamos olhar aqui no Brasil, quantas morreram de dengue esse ano, e ninguém comentou”.

Hamilton Mourão descartou, ainda, qualquer forma de interferência nos preços dos combustíveis. E afirmou que as variações seguirão de acordo com a política da Petrobrás. “Essa oscilação do barril a gente também sabe que é transitória. Foi uma queda bem abrupta, o barril hoje tá abaixo de 40 dólares, mas vamos ver qual é a reação que a Petrobrás vai colocar aí.”

Ainda em meio aos reflexos econômicos da crise mundial em torno do coronavírus e da oferta de petróleo no Oriente Médio, Mourão descartou também qualquer aumento de impostos: “Nós não podemos aumentar imposto no presente momento. Nós já temos uma carga tributária que vale um terço do nosso Produto Interno Bruto (PIB). Parte dela, estão vendo no congresso pra gente, para pelo menos atualizar esse sistema para se tornar mais amigável. Então eu, particularmente, não vejo possibilidade de aumento de impostos.”

Já sobre a renovação do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação Básica - em pauta no Congresso -, Mourão afirmou que o novo valor “tem que estar dentro dos limites da capacidade fiscal do Governo. Não adianta você dizer que vai aumentar o FUNDEB em ‘x’, e nós não termos condição de pagar. Vamos ter que tirar recursos de outros lugares, da saúde, outros setores que estão com dificuldades”, afirmou.

Presidente em Exercício

Hamilton Mourão assumiu a Presidência no último sábado (7), quando Jair Bolsonaro embarcou para a Flórida (EUA), onde jantou com Donald Trump e visitou uma base militar norte-americana. Bolsonaro retorna ao Brasil na quarta-feira (11).

Agenda

O presidente em exercício recebeu pela manhã os ministros Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral, e André Mendonça, da Advocacia-Geral da União, além do Chefe do Estado Maior da Aeronáutica. À tarde, participa da reunião de coordenação da delegação brasileira que viaja com ele à Nigéria e, à noite, segue para São Paulo - onde é esperado no evento de lançamento da CNN Brasil. (Com Bruno Silvers)