Rosa Weber rebate denúncia de Bolsonaro sobre 'fraude' em eleições


Da CNN Brasil, em São Paulo
10 de março de 2020 às 13:55 | Atualizado 10 de março de 2020 às 20:43
A ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral

A ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral

Foto: Carlos Moura - 4.mar.2020/SCO/STF

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, rebateu nesta terça-feira (10) as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que afirmou que houve fraude nas eleições de 2018. Embora tenha sido eleito em segundo turno, o presidente afirmou ter "provas" — sem apresentá-las — de que ele teria vencido em primeiro turno.

"Pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu tinha sido, eu fui eleito, no primeiro turno, mas, no meu entender, teve fraude", afirmou Bolsonaro durante evento em Miami, repetindo uma retórica já usada na campanha eleitoral que punha em xeque o sistema eletrônico de votação.

Em nota, Rosa Weber, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral, responsável por organizar as eleições, disse que a corte reafirma a "absoluta confiabilidade e segurança" do sistema eletrônico e sua capacidade de ser auditado para apurar eventuais denúncias.

A ministra observou que em mais de 20 de utilização, jamais foi comprovado qualquer caso de fraude nas urnas eletrônicas e que o TSE agirá com "presteza e transparência" para investigar eventuais irregularidades. 

"O sistema brasileiro de votação e apuração é reconhecido internacionalmente por sua eficiência e confiabilidade. Embora possa ser aperfeiçoado sempre, cabe ao Tribunal zelar por sua credibilidade, que até hoje não foi abalada por nenhuma impugnação consistente, baseada em evidências", diz a ministra.

O ministro Marco Aurélio também comentou a declaração do presidente da República. “Tempos estranhos. Pelo menos de tédio nós não morremos. Em 1996 capitaneei as eleições. De lá pra cá, não houve impugnação ao sistema minimamente séria. Se persevera a vontade do eleitor", disse, em referência ao período em que presidiu o TSE.

Voto impresso

Quando ainda era deputado, Bolsonaro emplacou um projeto de lei que institui o voto impresso. Já em campanha em 2018, o então candidato afirmou que as eleições daquele ano poderiam ser fraudadas. "A grande preocupação realmente não é perder no voto, é perder na fraude. Então, essa possibilidade de fraude no segundo turno, talvez até no primeiro, é concreta", declarou na época.

Na mesma ocasião, Rosa Weber também respondeu. Em uma rara declaração pública, afirmou que as urnas eletrônicas são "absolutamente confiáveis" desde a sua implantação, em 1996. "Temos 22 anos de utilização de urnas eletrônicas. Não há nenhum caso de fraude comprovado", disse Rosa na ocasião.

Por 8 a 2, a adoção do voto impresso foi suspensa em 2018 pelo Supremo, por considerar que a medida representa um risco ao sigilo e à confiabilidade do processo eleitoral. O veto ao voto impresso havia sido solicitado pela então procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Indicado por Bolsonaro para chefiar o Ministério Público Federal o atual procurador-geral da República, Augusto Aras, já sinalizou, reservadamente, que deve mudar o posicionamento do órgão e passar a defender o voto impresso.