Maia: governo não gosta de falar a palavra 'acordo'


Estadão Conteúdo
11 de março de 2020 às 21:19
O deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, no Encontro Anual Educação Já, ne

O deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara

Foto: Câmara dos Deputados - 9.mar.2020

Incomodado com a postura do governo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), alfinetou o Palácio do Planalto nesta quarta-feira (11) ao comentar a liberação de recursos para conter o coronavírus no País. "Não tem acordo, o governo não gosta de falar a palavra 'acordo'", declarou Maia.

Mais cedo, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, agradeceu Maia por convencer os líderes a liberar R$ 5 bilhões, via emendas feitas ao Orçamento, para o enfrentamento da COVID-19. O valor é parte dos cerca de R$ 15 bilhões que serão indicados pelo relator do Orçamento, deputado Domingos Neto (PSD-CE).

"Não tem acordo, o governo não gosta de falar a palavra 'acordo'... O que tem é que foi colocada a nossa intenção de colaborar com este momento, não é apenas discutir recursos, é discutir medidas em conjunto do governo com o Congresso Nacional", reagiu Maia ao ser indagado sobre como os parlamentares chegaram em um acordo sobre os recursos.

A referência de Maia ocorre após o presidente Jair Bolsonaro negar ter negociado com o Congresso. Depois, Bolsonaro também afirmou que as manifestações convocadas para o próximo domingo (15), poderão ser amenizadas se o Congresso abrir mão de controlar os R$ 15 bilhões — projeto encaminhado pelo próprio governo após tratativas.

Relação

Momentos após o Congresso derrubar o veto ao projeto que eleva o limite de renda familiar per capita para concessão do benefício de prestação continuada (BPC), Maia lamentou o resultado, mas responsabilizou a "relação bagunçada" entre Executivo e Legislativo.

"Quando a relação está desorganizada dificulta o trabalho em votações. Temos que olhar o que é emergente no momento e o que podemos fazer em conjunto para reduzir efeitos do coronavírus", disse.

Apesar desse comentário, ele disse não ver ligação entre a derrubada do veto do BPC e a votação dos projetos do Orçamento.