Coronavírus: Bolsonaro defende adiar protestos e diz que 'recado' já foi dado


Da CNN Brasil, em São Paulo
12 de março de 2020 às 20:04 | Atualizado 12 de março de 2020 às 21:44
Coronavírus: Bolsonaro e Mandetta usam máscaras em live no Facebook

Coronavírus: Bolsonaro e Mandetta usam máscaras em live no Facebook

Foto: Reprodução/Facebook Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sugeriu o adiamento dos protestos a seu favor marcados para o próximo domingo, dia 15. Em transmissão ao vivo nas redes sociais, Bolsonaro defendeu a medida em virtude da disseminação do novo coronavírus e afirmou que "já foi dado um tremendo recado para o Parlamento".

"O que nós devemos fazer agora é evitar que haja uma explosão de pessoas infectadas, porque os hospitais não dariam vazão. Então, se o governo não tomar nenhuma providência, sobe e depois o sistema não suporta", disse o presidente. 

Apesar da fala, Bolsonaro ponderou que há outras aglomerações diárias em que há situação de contaminação, como os transportes públicos sobrecarregados nas grandes cidades. Ele ainda disse que o movimento é "espontâneo" e que não é o responsável pela organização dos protestos.

Ainda sobre esse "recado", defendeu a posição do governo nas discussões sobre o orçamento impositivo, uma disputa entre o Executivo e o Legislativo pelo controle da destinação de verbas públicas federais. Ele rejeitou que os protestos fossem contra o Parlamento e o STF (Supremo Tribunal Federal), afirmando que não deve se manifestar contra instituições, mas apenas contra ocupantes de cargos.

Em pronunciamento transmitido em rede nacional às 20h30, Bolsonaro disse que "os movimentos espontâneos e legítimos" marcados para o dia 15 "atendem aos interesses da nação", mas precisam "ser repensados" diante dos fatos.

"Queremos um povo atuante e zeloso com a coisa pública, mas jamais podemos colocar em risco a saúde da nossa gente", disse.

R$ 5 bilhões contra o vírus

Durante a live, Bolsonaro disse que assinará nesta sexta-feira (13) a medida provisória que libera R$ 5 bilhões, via emendas, para o enfrentamento do novo coronavírus. O valor atende a um pedido feito pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), na quarta-feira (11) durante visita ao Congresso para prestar esclarecimentos sobre a situação do COVID-19 no País. 

O Ministério da Saúde anunciou que dobrará para 2 mil o número de leitos que podem ser montados nos estados para receber pacientes com o novo coronavírus. Segundo a pasta, ainda não foram feitos pedidos de reforço de leitos. Se houver, o ministério diz que em uma semana consegue entregar o kit de equipamentos, com insumos e respiradores, para que o espaço seja montado em local apontado nos planos de contingência estaduais. Há estados que avaliam montar os leitos em pequenas enfermarias, por exemplo.

Brasil tem 82 casos confirmados

O Brasil tem 82 casos confirmados do novo coronavírus, segundo números do governo federal e de governos estaduais divulgados nesta quinta-feira (12).

À tarde, o Ministério da Saúde informou que o Brasil tinha 77 casos, a maior parte no estado de São Paulo (42). Depois vêm Rio de Janeiro (16), Paraná (seis) e Rio Grande do Sul (quatro). Distrito Federal, Bahia e Pernambuco têm dois casos cada. Alagoas, Minas Gerais e Espírito Santo têm um paciente confirmado.

Já no fim da tarde, o governo de Goiás confirmou três casos no estado. Mais dois foram comunicados pelo governo de Santa Catarina, levando o total nacional para 82.

Desde segunda-feira (9), o número de casos confirmados no Brasil mais que triplicou. Naquele dia, havia 25 pacientes.

Os casos suspeitos chegam a 1.422, distribuídos por todos os estados brasileiros, segundo o Ministério da Saúde. São Paulo tem quase metade dos pacientes sob investigação (704). Outros 2.662 casos foram descartados. 

Com Estadão Conteúdo