Toffoli critica "clima de disputa" após vídeo de Bolsonaro


14 de março de 2020 às 15:36 | Atualizado 15 de abril de 2020 às 11:27

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, também se manifestou após o compartilhamento pelo presidente Jair Bolsonaro de um vídeo com uma convocação para protestos a favor do governo no próximo dia 15 de março. Nas redes sociais, mensagens de divulgação do ato também incluem críticas ao Congresso e ao STF.

"Sociedades livres e desenvolvidas nunca prescindiram de instituições sólidas para manter a sua integridade. Não existe democracia sem um Parlamento atuante, um Judiciário independente e um Executivo já legitimado pelo voto. O Brasil não pode conviver com um clima de disputa permanente. É preciso paz para construir o futuro. A convivência harmônica entre todos é o que constrói uma grande nação", afirmou Toffoli, em nota, que não cita diretamente o presidente da República.

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli (30.out.2019)

Crédito: Divulgação/STF

Na sequência de pouco mais 1 minuto e 40 segundos, há referências à facada levada por Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 com críticas à esquerda. A mensagem que acompanha o vídeo compartilhado pelo WhatsApp ainda fala: "O Brasil é nosso, não dos políticos de sempre".

O vídeo não tem nenhuma menção expressa ao Legislativo e ao Judiciário. A mensagem do presidente enviada a um destinatário não identificado foi tornada pública pelo jornal O Estado de S. Paulo — não há informações do dia em que ela foi compartilhada.

Mais cedo, o ministro do STF Celso de Mello já havia repudiado a atitude de Bolsonaro."Se confirmada, (revela) a face sombria de um presidente da República que, que ignora o sentido fundamental da separação de Poderes, que demonstra uma visão indigna de quem não está à altura do altíssimo cargo que exerce e cujo ato de inequívoca hostilidade aos demais Poderes da República traduz gesto de ominoso desapreço e de inaceitável degradação do princípio democrático", disse o decano em nota.

O ministro Gilmar Mendes também se manifestou, pelo Twitter, mas sem mencionar o vídeo compartilhado por Bolsonaro. "A CF88 garantiu o nosso maior período de estabilidade democrática. A harmonia e o respeito mútuo entre os Poderes são pilares do Estado de Direito, independemente dos governantes de hoje ou de amanhã. Nossas instituições devem ser honradas por aqueles aos quais incumbe guardá-las."

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, também reagiu em suas redes sociais. "Criar tensão institucional não ajuda o País a evoluir. Somos nós, autoridades, que temos de dar o exemplo de respeito às instituições e à ordem constitucional. O Brasil precisa de paz e responsabilidade para progredir", escreveu.