Coronavírus exige responsabilidade de Bolsonaro, diz Alcolumbre


Da CNN Brasil, em São Paulo e Brasília
15 de março de 2020 às 21:20 | Atualizado 15 de março de 2020 às 21:41
Davi Alcolumbre

O presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP)

Foto: Marcos Brandão - 17.02;2020/Senado Federal

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), cobrou responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) neste domingo (15) diante da pandemia do novo coronavírus (COVID-19) e criticou a presença do chefe do Executivo nos atos pró-governo.

Bolsonaro está em período de monitoramento para o contágio do coronavírus depois de pelo menos cinco membros da comitiva brasileira que visitou os EUA na semana terem testado positivo para o COVID-19. No entanto, o presidente foi às ruas de Brasília hoje e apertou as mãos de apoiadores. 

"É hora de amadurecermos como Nação. Com a pandemia do coronavírus fechando as fronteiras dos países e assustando o mundo, é inconsequente estimular a aglomeração de pessoas nas ruas", disse Alcolumbre em nota oficial. "A gravidade da pandemia exige de todos os brasileiros, e inclusive do presidente da República, responsabilidade! Todos nós devemos seguir à risca as orientações do Ministério da Saúde."

Alcolumbre repetiu o que disse na entrevista exclusiva à CNN Brasil publicada mais cedo, afirmando que "convidar para ato contra os Poderes é confrontar a democracia."

"É tempo de trabalharmos iniciativas políticas que, de fato, promovam o reaquecimento da economia, criem ambiente competitivo para o setor privado e, sobretudo, gerem bem-estar, emprego e renda para os brasileiros", disse o presidente do Congresso.

A CNN Brasil entrevistou representantes dos três poderes. Assista às entrevistas com o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados; o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal; e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Assista e leia também

Rodrigo Maia: 'Redes sociais contaminam todo o ambiente'
Paulo Guedes: 'Nunca me senti chantageado pelo Congresso'
Dias Toffoli: 'Atritos surgem quando poderes vão além de suas competências'

Maia: Bolsonaro faz pouco caso

Maia também criticou o comparecimento de Bolsonaro aos atos pró-governo. Segundo Maia, Bolsonaro faz "pouco caso" da pandemia do novo coronavírus e deveria estar reunido com seus auxiliares para discutir medidas de combate à doença em vez de ir às manifestações — que, para o parlamentar, "atentam contra as instituições".

Em uma sequência de posts no Twitter, Maia disse que "o mundo está passando por uma crise sem precedentes", e que "há um esforço global para conter o vírus e a crise".

“Por aqui, o Presidente da República ignora e desautoriza o seu ministro da Saúde e os técnicos do ministério, fazendo pouco caso da pandemia e encorajando as pessoas a sair às ruas. Isso é um atentado à saúde pública que contraria as orientações do seu próprio governo”, afirmou o deputado.

Em entrevista à CNN Brasil depois da divulgação das críticas, Bolsonaro disse que gostaria que Maia e Alcolumbre "saíssem às ruas" como ele. 

Apesar do tom de desafio, o presidente também afirmou que gostaria de se aproximar dos chefes da Câmara e do Senado. Bolsonaro convidou Maia e Alcolumbre para uma reunião nesta segunda-feira (16) e disse que quer "deixar de lado qualquer picuinha que exista".