Para ministros do STF, adesão a atos aponta isolamento de Bolsonaro


Daniela Lima
Por Daniela Lima, CNN  
15 de março de 2020 às 19:11 | Atualizado 15 de março de 2020 às 19:16
Bolsonaro cumprimenta apoiadores em ato pró-governo em Brasília

Bolsonaro cumprimenta apoiadores em ato pró-governo em Brasília

Foto: Adriano Machado - 15.mar.2020/Reuters

Ministros do Supremo Tribunal Federal ouvidos pela CNN Brasil neste domingo (15) interpretaram a adesão pessoal do presidente da República a atos que atacam o STF e o Congresso como sinal de que Jair Bolsonaro (sem partido) caminha para o isolamento.

Um integrante da corte disse ter ficado "perplexo" com a situação. O presidente cumprimentou eleitores que foram a atos em Brasília em meio à pandemia de coronavírus. 

Esse mesmo ministro afirma que os sinais divergentes enviados pelo Planalto à população deixam a impressão de que "o país está sem governo".

Durante esta semana, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), e o próprio presidente Bolsonaro chegaram a desestimular a adesão a aglomerações como forma de mitigar as chances de o coronavírus se espalhar com mais rapidez pelo país.

Internamente, integrantes do Supremo pregam não reagir de público aos ataques de bolsonaristas endossados pelo presidente para não "estimular o desvio de atenções ao que importa, que é a crise econômica e de saúde pública que se avizinha".

Há, porém, forte cobrança por uma resposta das intituições aos atos deste domingo (15).

Sem escolha

Diante das críticas, aliados de Jair Bolsonaro no Congresso defenderam a ida dele aos atos e disseram que o presidente não tinha outra opção a não ser apoiar quem o apoia.

"Como chefe de Estado, o presidente fez o correto e pediu em rede nacional de rádio e TV que a população não saísse às ruas. Os movimentos organizados obedeceram e cancelaram os eventos. Contudo, a população simplesmente não obedeceu e foi em massa", diz o deputado Marco Feliciano (sem partido-SP), amigo e apoiador de Bolsonaro.

"A partir daí, não cabia outra posição ao presidente, a não ser apoiar quem o está apoiando. Ele representa o povo, não é o dono do povo. Ao contrário: o povo é que é o dono dele!", disse Feliciano, que postou fotos de seu comparecimento às manifestações.