Aras diz não ver motivo para acionar Bolsonaro por cumprimentos em ato


Renata Agostini Da CNN Brasil, em Brasília
17 de março de 2020 às 19:52 | Atualizado 17 de março de 2020 às 20:57

O procurador-geral da República, Augusto Aras, disse não ter encontrado razão para acionar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após ele ter saudado o público durante manifestação pró-governo no domingo (15), em Brasília.

Na ocasião, o presidente apertou as mãos de apoiadores e segurou celulares de alguns deles para fazer selfies --deixando o monitoramento ao qual foi colocado após pessoas próximas terem testado positivo para o coronavírus.

“Não tenho conhecimento de o presidente da República estar infectado com o coronavírus”, disse Aras em entrevista à CNN Brasil. “Como não há menção de que o presidente esteja com coronavírus, não me é dado juízo de valor algum, porque só inversamente caberia ao procurador-geral da República cuidar desse assunto”, acrescentou.

Aras disse ainda considerar que “todas as autoridades brasileiras, especialmente aquelas que estão na cúpula do poder político, devem se preservar, especialmente em homenagem ao país”. “Ocorre que cada autoridade deve exercer a sua liberdade quando não houver risco à saúde pública.”

Na entrevista, o procurador-geral elogiou a atuação do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), no combate ao novo coronavírus.

Na segunda (16), Mandetta fez apresentação sobre a pandemia para autoridades do sistema de justiça, incluindo Aras e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Dias Toffoli. A reunião durou cerca de três horas e, segundo o procurador-geral, trouxe informações "relevantes" sobre a COVID-19.

"O Brasil tem um ministro da Saúde dos mais qualificados, em quem podemos confiar plenamente no sucesso das medidas profiláticas e de enfrentamento ao coronavírus", disse. 

Augusto Aras ressaltou as medidas adotadas dentro da Procuradoria-Geral da República (PGR) para evitar o contágio dos procuradores e servidores do órgão e disse que montou um gabinete para monitorar a situação. Ele defendeu que o Ministério Público, para além de suas atividades jurídicas, atue para ajudar a promover a "responsabilidade social".