Maia diz que Câmara votará calamidade hoje e vê mudança de atitude do governo


Guilherme Venaglia Da CNN Brasil, em São Paulo
18 de março de 2020 às 17:26 | Atualizado 18 de março de 2020 às 17:34

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que os deputados devem votar e aprovar ainda nesta quarta-feira (18) o pedido do governo para decretar o estado de calamidade pública no Brasil. Maia afirmou que o status é importante para que estejam disponíveis os recursos que sejam necessários para conter a pandemia do coronavírus.

"O governo vai ter liberdade até o final do ano para garantir primeiro a aplicação de recursos para a saúde, para salvar e cuidar da vida dos brasileiros, depois para diminuir os impactos da economia", disse o presidente da Câmara, argumentando que é preciso expandir os gastos públicos neste momento para impedir o aumento do desemprego no país.

"O Congresso vai fazer uma estrutura para o acompanhamento dos gastos", ponderou Maia. Em seu parecer sobre o tema, o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), relator do projeto, prevê a formação de uma comissão com seis deputados federais e seis senadores para monitorar o orçamento do governo federal.

Silva também estabelece a necessidade de reuniões mensais com o Ministério da Economia com os integrantes da comissão, bem como audiências públicas bimestrais em que o ministro da Economia, Paulo Guedes, deverá detalhar a execução do orçamento público.

Atuação do governo

O presidente da Câmara disse, durante entrevista coletiva à imprensa, que não conseguiu assistir ao pronunciamento de hoje do presidente Jair Bolsonaro, mas que ficou "feliz" de ter visto pela primeira vez sinal de uma reação do Poder Executivo à pandemia da COVID-19. "Hoje eu vi uma foto de um governo tentando enfrentar a crise", afirmou.

Rodrigo Maia, no entanto, criticou a forma como o governo tem lidado com a entrada e saída de pessoas no Brasil. Além de reforçar a cobrança por medidas relacionadas ao fechamento de fronteiras, o parlamentar defendeu procedimentos mais rígidos nos aeroportos brasileiros.

"Estamos um pouco atrasados, mas acredito que ainda dá tempo do governo, nos aeroportos, pelo menos exigir uma fiscalização maior de quem entra no Brasil", argumentou. Maia citou a análise de risco de contaminação por origem e observação de sintomas eventualmente apresentados por quem chegue ao país.

O presidente da Câmara também sinalizou que não vai participar de uma reunião com os chefes de poderes convocadas por Bolsonaro. "Mais importante do que uma reunião hoje é aprovar o que é importante", disse.