STF, Congresso e Ministério Público veem erosão do capital político de Bolsonaro

Ministros do STF, procuradores, deputados e senadores veem risco de o presidente ter perdido parte do apoio da classe média ao subestimar os riscos da pandemia

Daniela Lima
Por Daniela Lima, CNN  
18 de março de 2020 às 06:10
Em entrevista, o presidente Jair Bolsonaro voltou chamar de histeria reação ao novo coronavírus
Foto: Adriano Machado - 16.mar.2020/ Reuters

Setores do Supremo, do Ministério Público Federal e do Congresso falam em erosão do capital político do presidente Jair Bolsonaro e temem a instauração de uma crise política no país em meio ao avanço do coronavírus.

Ministros do STF, procuradores, deputados e senadores ouvidos pela CNN Brasil veem o risco de o presidente ter perdido parte valorosa do apoio da classe média ao subestimar os riscos da pandemia.

Na análise desse grupo, os próximos dias serão decisivos para confirmar um quadro de deterioração da governabilidade. 

O presidente Jair Bolsonaro enviou mensagens dissonantes desde o início da crise do coronavírus no mundo. Primeiro, minimizou o problema, que chegou a classificar como uma “fantasia”.

Depois, desaconselhou aglomerações, mas em seguida deixou o isolamento recomendado por médicos para cumprimentar eleitores que faziam manifestações em sua defesa.

O presidente ainda chegou a criticar o que chamou de “histerismo” de governadores que adotaram medidas para conter a circulação nas ruas, adotando o exemplo de países nos quais o coronavírus causou baixas agudas.

Nesta terça (17), o Planalto avisou que editaria um decreto declarando calamidade pública. O Congresso Nacional já sinalizou que não se vai se opor ao ato.

Para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decretar a calamidade é a única forma de garantir recursos para a saúde e garantir cobertura aos mais pobres durante a epidemia. 

Na noite desta terça, o presidente foi alvo de panelaços em SP, RJ, MG e DF. Vídeos da manifestação circularam fortemente em grupos de parlamentares.