Governo federal não entendeu gravidade do coronavírus, diz Witzel


Da CNN Brasil, em São Paulo
20 de março de 2020 às 19:11

Em entrevista exclusiva para a CNN nesta sexta-feira (20), o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), foi enfático sobre o que avalia como falta de coordenação do governo federal com os estados no combate à pandemia do novo coronavírus (COVID-19), e chegou a afirmor que o Executivo nacional não entendeu a gravidade do problema. O número de mortos pelo vírus no Brasil chegou a 11, com 904 casos confirmados.

“O governo federal não entendeu o problema grave, não podemos brincar com a vida das pessoas. Espero que no Brasil não aconteça o que aconteceu na Itália e Espanha”, disse.

Segundo o governador, "este não é o momento de fazer política", e o avanço do contágio "vai colapsar a rede pública de saúde". 

Witzel afirmou que em nenhum momento Brasília convocou uma conversa conjunta entre os governadores, e que eles estão em comunicação constante. 

“Até o presente momento, governadores não foram chamados pelo governo, mas estamos se falando através de nosso grupo de Whatsapp. O governo federal precisa acordar, chame imediatamente todos os governadores para uma video conferência, precisamos fazer o melhor para população e despolitizar a questão.”

O governador falou também que o decreto assinado por ele nesta semana, que prevê o fechamento do transporte interestadual no estado, ainda depende das ratificações das agências reguladoras, e cobrou uma decisão delas em 24 horas. Ele disse ainda estar "estarrecido" com a crítica do governo federal em relação ao decreto.

Ao final da entrevista, Witzel demonstrou emoção com o número crescente de vítimas da doença, e disse “nunca ter imaginado viver isto em uma democracia”.

“O povo está morrendo, é muito triste, mas preciso continuar governando”, declarou ao relembrar as medidas restritivas adotadas no Rio.

Procurado pela reportagem da CNN para comentar as declarações de Witzel, o presidente Jair Bolsonaro disse estar disposto a conversa com os governadores. “Vamos sentar e conversar, não vejo empecilho para isso”.