"Não se pode colocar o equilíbrio fiscal acima da vida das pessoas", diz Boulos


Da CNN Brasil, em São Paulo
21 de março de 2020 às 03:06
 

Para Guilherme Boulos, coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra) e candidato do PSOL à Presidência da República em 2018, as medidas do governo federal para lidar com o avanço do novo coronavírus (COVID-19) são tardias e insuficientes. "Não se pode colocar o equilíbrio fiscal acima da vida das pessoas", disse ele, em entrevista à CNN Brasil nesta sexta (20).

Boulos também afirmou que a maneira com que Jair Bolsonaro (sem partido) tem gerenciado a situação evidencia que o presidente "não está à altura do cargo". "Desde o início desta crise, Bolsonaro foi inconsequente. Quando, ele vai e diz que é histeria, faz manifestação na porta do Palácio e sai pegando na mão de todo mundo, quando trata um tema tão grave, que já infectou mais de 600 brasileiros, como brincadeira, mostra que não está à altura do cargo", declarou.

Ele também considerou que o pacote de ajuda aos trabalhadores informais é incipiente. "Eu pergunto, será que com R$ 200, para quem está impedido de trabalhar, dá para pagar aluguel e contas? É condenar as pessoas à miséria". Ele compara aos pacotes anunciados em outros países. "Até em governos de direita, o Trump anunciou um pacote de mais de US$ 850 bilhões (aproximadamente R$ 4,3 trilhões), o Macron concedeu anistia para contas de luz, água e gás".

Medidas para combater o novo coronavírus

Guilherme Boulos em entrevista à CNN Brasil

Guilherme Boulos, candidato do PSOL à Presidência da República em 2018, em entrevista à CNN Brasil

Foto: CNN Brasil (20.mar.2020)

O psolista acredita que a ação do presidente francês deveria ser replicada no Brasil. "Principalmente para que as pessoas que trabalham informalmente e os desempregados, possam sobreviver e não ficarem asfixiados por esse período", falou. Ele ainda cita mais propostas para lidar com a crise: a instituição de uma renda básica para trabalhadores informais e desempregados, garantia empregatícia para quem tem carteira assinada e a revogação do teto de gastos —que já será alterado com o decreto de calamidade pública, aprovado no Senado mais cedo nesta sexta.

Quanto a uma de suas principais bandeiras, o direito à moradia, ele propõe a suspensão de todas as reintegrações de posse, individuais ou coletivas, e um plano especial para os sem-teto.

Questionado sobre como custearia suas propostas, ele sugere usar as reservas internacionais. "Se esse não é o momento para usar as reservas, quando as pessoas estão morrendo, qual vai ser o momento?", pergunta. Para ele, esse é o momento em que as pessoas mais precisam da proteção do poder público. "Não é só o coronavírus que mata. Num momento como esse, com a economia paralisada, o desemprego, a fome e a falta de atendimento podem matar".