É preciso pacificar a política para combater coronavírus, diz Manuela d'Ávila


Da CNN Brasil, em São Paulo
21 de março de 2020 às 03:05 | Atualizado 21 de março de 2020 às 03:29
 

Para Manuela d'Ávila, filiada ao PCdoB e candidata à vice-presidência da República em 2018, é preciso pacificar o país para traçar um plano de combate ao novo coronavírus (COVID-19). Em entrevista à CNN Brasil nesta sexta-feira (20), a ex-deputada disse ser impossível imaginar medidas efetivas sem um pacto entre todos os atores políticos do Brasil.

"Sem unificar as forças políticas do país, é inimaginável a construção de saídas que envolvam o conjunto da população brasileira", disse. Ela relembrou que presidentes de outras nações, como Estados Unidos e França, já declararam o enfrentamento ao coronavírus como uma guerra. "É preciso buscar pacificar o Brasil para enfrentar isso".

Ela considera que as providências tomadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) têm sido insatisfatórias. "Primeiro, porque não unificam as autoridades e as forças políticas. Segundo, porque subestimam o caráter da crise", justifica.

Como combater o coronavírus? 

Manuela d'Ávila

Manuela d'Ávila, filiada ao PCdoB e candidata à vice-presidência do Brasil em 2018 (28.out.2018)

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

D'Ávila ressalta a importância de medidas voltadas à proteção das populações mais vulneráveis. "O vírus não escolhe quem atinge, mas as consequências não são iguais para todas as pessoas", falou. "Precisamos garantir que a população siga se alimentando e vivendo com dignidade durante o enfrentamento à pandemia".

Ela propõe ações para proteger mulheres, como a postergação de licenças-maternidade durante esse período, a criação de um auxílio-creche para as profissionais de saúde com filhos pequenos e uma atenção especial à medidas contra a violência doméstica, que pode crescer de forma significativa com a imposição de quarentena.

Assim como também sugeriram Ciro Gomes e Guilherme Boulos, esquerda, ela também revogaria o teto de gastos. "Precisamos saber que as populações mais vulneráveis não terão condições de seguir comendo se não tivermos medidas emergenciais de transferência de renda".