Governo sai no lucro se eleições municipais forem adiadas pelo coronavírus


Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
23 de março de 2020 às 10:12
O senador Eduardo Gomes, do MDB-TO

O senador Eduardo Gomes, do MDB-TO

Foto: Beto Barata/Agência Senado

O governo federal é o maior interessado em adiar as eleições municipais deste ano. Não à toa os primeiros a vocalizarem a ideia são integrantes do governo.

O primeiro foi o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes. Em conversa com a CNN, ele disse “não haver ambiente” para as eleições.

Colocou o risco das atividades comuns ao processo eleitoral, como a aglomeração de pessoas, e o custo em um momento em que se anuncia uma recessão no país como principais fatores para a ideia.

Neste domingo (22), foi a vez do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, abraçar a ideia.  Desta vez, em reunião com prefeitos de capitais para tratar do coronavírus. O eixo central de seu raciocínio foi o de que as eleições poderiam acabar politizando o coronavírus e as informações técnicas seriam deixadas de lado.

Uma eleição municipal com o coronavírus é tudo o que o governo teme porque em outubro, quando ela ocorrer, o país terá enterrado a maior parte dos seus mortos e os efeitos negativos da debacle da economia estarão no seu pico.

Tanto é assim que neste momento o maior partido da oposição, o PT, é contrário à ideia. Os líderes do partido no Senado, Rogério Carvalho, e da Câmara, Enio Verri, avaliaram à CNN que a discussão é inoportuna. “Me parece oportunismo”, disse Carvalho.

A mesma linha foi adotada por aquele que hoje é o maior antagonista do Palácio do Planalto em Brasília: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. “Adiar eleições é uma discussão completamente equivocada”, disse.

Não é possível ainda apontar o que ocorrerá. Se de fato a crise do coronavírus avançar para o segundo semestre, as chances de adiamento são altas e se justificam por questões de saúde pública mesmo. Mas se não houver necessidade técnica quem ganhará com o adiamento é quem hoje está no poder.

Como o presidente Jair Bolsonaro, e o MDB, partido que tem o maior número de prefeitos no país e opera a engrenagem política para o governo no Congresso tanto com Eduardo Gomes quanto com Fernando Bezerra Coelho, líder do governo no Senado.